XV Congresso da Rede Handala reafirma compromisso com a autodeterminação dos povos e a luta por uma Palestina Livre

Três dias de intensos debates definem as principais políticas que orientarão o Sind-REDE nos próximos anos

Entre os dias 23 e 25 de outubro, o Sind-REDE/BH realizou o seu XV Congresso da Rede, que neste ano homenageou Handala, personagem criado em 1969 pelo cartunista palestino Naji al-Ali e símbolo mundial da resistência do povo palestino. Sob o lema “Pelo direito à autodeterminação de todos os povos. Palestina Livre do Rio ao Mar!”, o Congresso reafirmou o compromisso da categoria com as lutas internacionais contra a opressão e a dominação.

A figura de Handala, um menino refugiado de 10 anos, retratado de costas, descalço e com roupas rasgadas, simboliza o enfrentamento à injustiça e o direito dos povos de decidirem seu próprio destino. As cores, símbolos e homenagens à Palestina estiveram presentes em toda a ambientação do Congresso — nas faixas, nas decorações com melancias, chaves e flotilhas — e também nos debates e manifestações realizadas durante o evento.

Dia 1: Abertura marcada pela solidariedade internacional

A abertura do Congresso, realizada na sede do Sind-REDE/BH, na quinta-feira (23/10), contou com a saudação das centrais sindicais e movimentos sociais e em seguida, o primeiro painel, dedicado à Palestina, contou com a presença dos palestinos Nay Rafeeq Rayyan e Yousef Alswaitti, ambos refugiados no Brasil após viverem sob o regime de apartheid na Cisjordânia. Seus relatos emocionaram o público e reforçaram a importância da solidariedade internacionalista que marcou o evento.

Ainda na noite de abertura, foi feita a leitura e aprovação do Regimento Interno, que aconteceu sem polêmicas e apenas um destaque, com a votação quase unânime das delegadas e delegados. O dia terminou com um coquetel e confraternização, momento de reencontro e celebração da unidade entre as trabalhadoras e trabalhadores da Rede.

Dia 2: Conjuntura, resistência e luta contra a privatização

O segundo dia do Congresso, realizado no Espaço 104, teve início com uma mesa sobre conjuntura nacional e internacional, com a participação da vereadora Iza Lourença, Luís Bittencourt, Júlio Anselmo  e Maria da Consolação, representando as diversas correntes políticas que atuam no Sind-REDE/BH. 

Durante a manhã, os participantes também realizaram uma manifestação simbólica em solidariedade aos trabalhadores da Copasa, protestando contra a aprovação, em primeiro turno, da PEC 24/2023, que retira da população o direito ao referendo sobre a privatização da empresa.

Na sequência, o painel “Pela autodeterminação dos povos” contou com a contribuição do professor José Hata, de Angola, e a saudação de um ativista ucraniano, que enviou um vídeo com sua mensagem.

Na parte da tarde, o debate sobre “Privatização, Militarização e Mercantilização da Educação” reuniu José Heleno (Rede Municipal de Divinópolis), Flávia Bischain (Apeoesp – oposição), Diego Miranda (Rede Municipal de BH) e Daniel Cara (coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação – CNDE), que participou por vídeo. A mesa foi marcada por contribuições expressivas e intervenções que reafirmaram o papel do Sind-REDE/BH na defesa da educação pública, gratuita e democrática.

O dia se encerrou com a formação de quatro Grupos de Trabalho (GTs) sobre Inclusão Escolar, Educação em Tempo Integral, Carreira e Combate às Opressões, além de discussões sobre Conjuntura e Plano de Lutas. As propostas com mais de 10% dos votos foram encaminhadas para a plenária final.

Dia 3: Grupos de trabalho e plenária final consolidam propostas da categoria

O terceiro dia de Congresso foi dedicado à continuidade dos GTs, que se dividiram nos seguintes temas: Educação Infantil, Ensino Fundamental, EJA, Gestão Escolar e Financiamento. Além das políticas educacionais, os grupos discutiram valorização profissional, condições de trabalho dos AAEs, bibliotecários, terceirizados, situação dos aposentados e estrutura sindical.

À tarde, ocorreu a Plenária Final, momento de deliberação coletiva das propostas constantes no Caderno de Teses, Contribuições e Resoluções. A votação foi conduzida com base no regimento, com aprovação simbólica das propostas não destacadas e votação nominal das divergentes, com espaço para defesa das posições, quando reivindicadas. O clima de unidade e cooperação entre os delegados permitiu que todas as deliberações fossem concluídas dentro do prazo, o que foi celebrado pelos presentes.

Um Congresso de unidade, resistência e muita reflexão

O XV Congresso da Rede Handala consolidou-se como um espaço plural, democrático e profundamente político. Ao homenagear o povo palestino, o Sind-REDE/BH reafirmou que a luta por uma Palestina livre é parte da luta pela liberdade de todos os povos oprimidos, e que a educação pública deve ser instrumento de emancipação e solidariedade internacionalista.

Na avaliação da diretoria colegiada, “foi um Congresso muito rico, em que debatemos temas fundamentais da conjuntura, do cotidiano escolar e do funcionamento do nosso Sindicato. Saímos mais fortalecidos e prontos para as lutas que virão”.

O Sind-REDE/BH segue, assim, com suas diretrizes reafirmadas e com um plano de lutas construído coletivamente, inspirado pelo exemplo e pela resistência do povo palestino — por uma Palestina livre, do rio ao mar, e por um mundo em que todos os povos tenham o direito de existir, resistir e determinar o seu próprio destino.