A comunidade Guarani e Kaiowá do Tekoha Tapy’i Kora, localizada no município de Amambai (MS), sofreu grave e violento ataque na manhã desta sexta-feira (4). Denúncias e alertas urgentes emitidos pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e pelo Aty Guassu apontam que o território enfrenta mais um episódio brutal de terrorismo por pistoleiros e repressão armada.
Segundo os relatos das lideranças indígenas, casas e bens da comunidade estão sendo destruídos de forma truculenta em uma ação conjunta que envolve fazendeiros da região e forças policiais locais.
O Tekoha Tapy’i Kora fica em uma área sobreposta à Fazenda Limoeiro, inserida na Terra Indígena Iguatemipeguá II — um território historicamente marcado pela resistência, por retomadas e por violentas expulsões perpetradas pelo latifúndio e pelo agronegócio.
Conflito anunciado e omissão das autoridades
Frente à escalada de violência e ao risco iminente à vida das famílias cercadas, organizações indígenas acionaram órgãos federais cobrando socorro imediato. Foram formalizados pedidos de envio de equipes de proteção ao Ministério dos Povos Indígenas (MPI), à FUNAI, ao Ministério Público Federal (MPF) e à Polícia Federal.
Apesar da gravidade dos relatos e do clima de extrema tensão, os canais oficiais do governo federal e das forças de segurança ainda não confirmaram o envio efetivo de tropas para conter os agressores ou garantir a integridade dos Guarani e Kaiowá.
O receio das comunidades e dos movimentos socioambientais é a repetição de massacres e despejos ilegais, sem mandado judicial, com uso de armas de fogo e destruição das moradias tradicionais, padrão de violência constante patrocinado pelos pistoleiros do agronegócio e respaldado pelo Estado no Mato Grosso do Sul.
Todo apoio à luta e às retomadas dos povos originários!
A CSP-Conlutas soma sua voz às denúncias da APIB e do Aty Guassu, exigindo a intervenção imediata do Governo Federal para cessar a violência no Tekoha Tapy’i Kora, o desarmamento do latifúndio e a demarcação e homologação já de todas as terras indígenas.
Fonte: Reprodução da CSP-Conlutas