Mais um caso de violência nas escolas municipais evidencia descaso da SMED sobre o tema

Sind-REDE/BH cobra da SMED protocolos efetivos para garantir segurança e respeito aos trabalhadores em Educação

Na última sexta-feira (3/10), uma trabalhadora auxiliar de apoio ao educando foi agredida e ameaçada de morte por uma mãe de aluno na Escola Municipal Américo Renê Giannetti, localizada no bairro Concórdia, região nordeste de Belo Horizonte.

O episódio motivou um protesto dos trabalhadores da escola que vai ocorrer nesta quarta-feira (8/10), expondo novamente a falta de políticas públicas e de protocolos de segurança efetivos por parte da Secretaria Municipal de Educação (SMED) para lidar com a crescente onda de violência nas escolas da capital.

Segundo relatos, a agressão ocorreu após a escola chamar a mãe de um estudante com autismo para dialogar sobre o processo de ensino-aprendizagem e o comportamento do aluno. Horas depois, durante as atividades do Programa Escola Integrada, o aluno apresentou uma crise e a equipe solicitou novamente a presença da responsável.

Ao chegar à escola, a mãe partiu para agressões verbais e físicas contra uma trabalhadora que sequer era responsável direta pelo estudante, chegando a ameaçá-la de morte. O caso foi registrado em Boletim de Ocorrência e gerou revolta entre os trabalhadores da unidade.

Para o Sind-REDE/BH, o ocorrido na EM Américo Renê Giannetti não é um caso isolado, mas parte de um quadro de violência recorrente e alarmante nas escolas municipais de Belo Horizonte. “Infelizmente esse não é um caso isolado. Temos acompanhado a escalada do desrespeito aos trabalhadores em educação no ambiente de ensino. É preciso que se tenha uma resposta rápida para que se pacifique escola e comunidade”, afirma a diretoria colegiada do Sind-REDE/BH.

Nos últimos meses, o Sindicato foi acionado para acompanhar situações semelhantes em diferentes regionais, como Pampulha, Barreiro e Nordeste, envolvendo professores, auxiliares de apoio ao educando e outros trabalhadores em educação. Em todos os casos, o que se repete é a ausência de uma política consistente da SMED para prevenir, mediar e resolver conflitos no ambiente escolar.

O Sind-REDE/BH tem cobrado da Secretaria Municipal de Educação a criação de protocolos claros e eficazes de segurança e atendimento, que padronizem medidas e ações diante de situações de ameaça ou agressão. Atualmente, segundo relatos das escolas, a SMED tem adotado como “solução” a transferência do trabalhador para outra unidade, o que, na prática, representa uma segunda punição à vítima das agressões e um desamparo ao coletivo da escola.

Outro problema grave, identificado pelo Sindicato, é a tendência da SMED de responsabilizar os trabalhadores e as direções escolares pelos episódios de violência, especialmente quando envolvem estudantes neurodivergentes ou com deficiência. A ausência de protocolos claros faz com que as escolas enfrentem sozinhas situações complexas, sem o apoio adequado das regionais e da Secretária Municipal de Educação.

Sem uma política pública estruturada, a SMED se omite diante da violência e empurra o problema para os trabalhadores, que ficam desassistidos e vulneráveis. A gestão precisa entender que o cuidado e o acolhimento não podem se limitar ao discurso, eles precisam se traduzir em ações concretas.

O Sind-REDE/BH seguirá cobrando ações urgentes do governo municipal de Álvaro Damião (União Brasil) e da secretária de educação, para que a integridade física e emocional dos trabalhadores seja garantida, e para que a escola seja um espaço de aprendizado, convivência e respeito, e não de medo e insegurança, como tem acontecido.

A diretoria colegiada do Sind-REDE/BH reforça que a escola é um espaço de acolhimento e respeito e isso não se restringe apenas ao estudante, mas deve se estender a todo o coletivo da escola. O trabalhador que constrói o cotidiano e a vida escolar do estudante também deve ser respeitado.