IDEB e a prova do Saeb: como a PBH maquia as estatísticas para justificar o desmonte da educação

Índice virou instrumento para medir a suposta "qualidade" da gestão, mas sindicato alerta que a nota não reflete a realidade

A prova do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), avaliação que serve de base para definir o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), está sendo aplicada nesta semana na rede municipal de Belo Horizonte. Para além da nota na prova, o Ideb também leva em conta a frequência dos estudantes e as taxas de evasão escolar.

Municípios e Estados maquiam os índices das mais diversas formas, e Belo Horizonte não fica de fora. Entre as práticas adotadas pela gestão estão:

  • Treinamento intensivo para a prova: a PBH chega a realizar no mínimo seis simulados com o único objetivo de treinar os estudantes para a prova. Em se tratando do ensino fundamental, isso não reflete nem de longe o aprendizado real ou a formação integral dos alunos, que perde espaço para o treinamento.
  • Pressão: há pressão sobre as escolas e o uso de mecanismos artificiais para forçar a aprovação de estudantes, mesmo daqueles que não atingiram a presença mínima exigida.
  • Estudantes com maiores dificuldades são, em muitos casos, desencorajados de comparecer e realizar as provas para não puxarem a média para baixo.

As provas são uma fotografia muito parcial da educação. No início deste ano, o Ideb subiu no país inteiro, inclusive em BH.
Mas qual é a consequência disso para a rede?

Enquanto há pressão para melhoria artificial dos índices, a gestão de Damião corta recursos, reduz o quadro de trabalhadores (em especial de professores) e atua para desmontar os projetos pedagógicos das escolas.

A rede municipal sofre com o arrocho e a falta de investimentos, mas ao mesmo tempo o dinheiro público é desviado para prioridades políticas, como os acordos com OSCs que servem para alimentar arranjos políticos da gestão e uma possível próxima candidatura de Damião.

O Sind-REDE/BH segue denunciando essa farsa estatística!
A educação pública de Belo Horizonte não é vitrine de marqueteiro!
Ela exige investimento, valorização dos profissionais e condições dignas para quem está na ponta.