Flotilha a caminho de Gaza é atacada por drones perto da Grécia

Embarcações foram alvo de terror psicológico e explosões diretas; Israel já anunciou que não permitirá chegada de ajuda humanitária à Gaza

Flotilha Global Sumud saem da Espanha em direção a Palestina. Sumud significa “perseverança inabalável”.

Ontem (23/09), por volta das 20h da noite, horário de Brasília, mas já à 1h da manhã do dia 24/09 no oriente médio, a Flotilha Global Sumud, formada por 51 embarcações, com o objetivo de romper o bloqueio imposto por Israel e entregar ajuda humanitária a Gaza, foi atacada pelo exército de Israel perto da costa da Grécia.

Os ataques começaram com sobrevoo de “múltiplos drones”, bloqueio de comunicação, lançamento de bombas no mar, próximo às embarcações. As operações de efeito psicológico foram registradas pelos tripulantes e postadas nas redes sociais ainda no início da noite. Mas, com o passar das horas, os ataques foram escalando e explosões também atingiram embarcações, no total foram registrados 14 ataques de drones, que causaram 11 explosões e danificaram quatro barcos. (Veja os vídeos abaixo).

O grupo já havia denunciado ataques semelhantes no dia 9 de setembro, perto da Tunísia. Nesta semana, Israel reafirmou que não permitirá a chegada da flotilha ao enclave palestino ou qualquer “ajuda humanitária não autorizada” à Gaza. 

Mais de 500 civis de 40 países estão levando alimentos e remédios para Gaza. O Brasil é uma das delegações mais expressivas da flotilha, com a presença de 13 ativistas brasileiros. Os ativistas pedem que governos ao redor do mundo pressionem Israel para garantir o sucesso da missão.

Palestina é tema central na ONU

Nesta semana, diversas nações realizam uma conferência sobre a solução de dois Estados, cujo objetivo é a coexistência pacífica entre um Estado palestino e o Estado israelense, durante a Assembleia da ONU, em Nova York. Na ocasião, Reino Unido, Canadá, Austrália, Portugal e França anunciaram o reconhecimento da Palestina. Hoje, mais de 140 dos 193 Estados-membro da ONU já reconheceram a independência palestina.

Segundo um relatório da ONU, mais de meio milhão de pessoas em Gaza passam fome. Na semana passada, uma Comissão de Inquérito do Comitê de Informação (COI) nas Nações Unidas, admitiu pela primeira vez que o que acontece em Gaza é mesmo um genocídio, com o objetivo de “destruir os palestinos” que vivem no território e concluiu a culpa do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e outros funcionários de alto escalão por instigar o crime.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, classificou a situação em Gaza como “intolerável” e disse que uma solução de dois Estados é a única maneira de acabar com a Guerra. Reagindo às críticas, ele disse que a condição de Estado para os palestinos “é um direito, não uma recompensa”, “e nada pode justificar a punição coletiva do povo palestino”, acrescentou.

Diante da barbárie que é a atual situação do genocídio palestino, e da reação gerada no mundo todo, a ONU foi forçada a reconhecer o estado Palestino. Contudo o faz com a mesma proposta que gerou o caos existente hoje, desrespeitando a resistência heroica de seu povo. Para o Sind-REDE/BH, a proposta de solução de dois estados, com manutenção do projeto colonialista liderado pelo Sionismo, não representa paz para a região.

A Paz no oriente médio depende do respeito ao território palestino original, do Rio ao Mar. Seguindo as diretrizes de um “estado unitário”, com uma “constituição laica e democrática”, que garanta “liberdade de prática religiosa para todos” e reconhece o direito de judeus, mulçumanos e cristãos em preservar sua língua nativa e seus costumes milenares, como propôs a delegação de governos Árabes em 1946. Sob esses marcos, é papel do povo palestino, sejam árabes ou judeus, definir o seu próprio destino.

Itália envia escolta após Greve Geral em defesa da Palestina

Na manhã desta quarta-feira (24/09), a Itália enviou um navio da Marinha para o Mediterrâneo Oriental para acompanhar a Flotilha, fornecer escolta e, se necessário, realizar operações de resgate. O Ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, confirmou que a embarcação foi desviada das funções de patrulha da OTAN para essa missão.

A decisão ocorreu após uma histórica Greve Geral de trabalhadores italianos contra o genocídio palestino, ocorrida nesta segunda-feira (22/09). Centenas de milhares de pessoas saíram às ruas em mais de uma centena de cidades italianas. Os atos públicos bloquearam postos e reuniram mais de 50 mil pessoas no centro de Milão. O objetivo dos manifestantes era impedir que a Itália seja usada como ponto de parada para a transferência de armas e outros suprimentos para Israel.

A pressão fez com que Crosetto e a Primeira-Ministra Giorgia Meloni decidissem enviar a embarcação, sobre pretexto de proteção dos cidadãos italianos que estão entre os que viajam com a flotilha. Ontem, Meloni afirmou que poderia reconhecer o estado Palestino, caso o Hamas libertem os reféns que ainda se encontram sob sua custódia.

Em um comunicado, Crosetto condenou os ataques e enfatizou que “manifestações e protestos devem ser protegidos quando conduzidos em conformidade com o direito internacional e sem recurso à violência”.

Junto a isso, Trinta e cinco eurodeputados de diferentes espectros políticos (esquerda, verdes, socialistas e liberais) assinaram hoje (24/09) uma carta aos presidentes das instituições e chefe da diplomacia da União Europeia (UE), pedindo que condenem as ameaças à flotilha humanitária que se dirige a Gaza. A nota ressalta que a eurodeputada, e coordenadora do Bloco de Esquerda no parlamento europeu, Mariana Mortágua, de Portugal, integra a Flotilha junto com outras dezenas de ativistas europeus e de todo o mundo.

Especialistas jurídicos observam que o direito internacional impõe a obrigação de agir quando se constata a ocorrência de genocídio. A ação da Itália marca a primeira ação militar direta de um governo ocidental desde que a CIJ decidiu que a campanha israelense em Gaza constitui genocídio.

Segundo publicação dos organizadores da Flotilha, “a Itália pode muito bem ter acabado de salvar as vidas de todos os participantes da Flotilha Global Sumud. Apelamos ao resto do mundo para que siga o exemplo da Itália”.