Educação de BH desmente informe publicitário da PBH

Trabalhadores em Educação contestam valores inflados de R$ 13 mil divulgados pela PBH

Os trabalhadores em educação vem a público repudiar e desmentir as informações veiculadas pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) em formato de informe publicitário no jornal O Tempo de hoje (8).

Ao contrário do que a propaganda oficial tenta fazer a cidade acreditar, sugerindo salários fictícios na casa dos R$ 13 mil, a realidade dos contracheques é bem diferente:

  • Salário inicial real: o vencimento base inicial de um professor da rede municipal de Belo Horizonte é de R$ 3.011,88.
  • O teto da carreira: um profissional com 30 anos de serviço, que atingiu os títulos de mestrado e doutorado, chega ao topo da carreira recebendo R$ 7.994,41, valor que, inclusive, é reduzido no momento da aposentadoria.
  • A Realidade do piso: o piso salarial nacional do magistério, para profissionais de nível médio é de R$ 5.130,63 se considerarmos o pagamento proporcional para a jornada de trabalho este valor será de 2.885,98, BH paga 3.011,88. A cidade mais rica do país, paga muito próximo ao valor que a cidade mais pobre deve pagar.

Dupla jornada e trabalho invisível

Nessas condições, a jornada de 22h30 é uma falácia na prática do funcionalismo da educação. Para conseguir pagar as contas básicas, a esmagadora maioria dos professores recorre à dupla jornada e fazem uma carga horária paga de 45 horas semanais.

Soma-se a isso ainda o trabalho pedagógico invisível: planejar aulas, corrigir centenas de provas, atender especificidades dos alunos e preencher relatórios. Em Belo Horizonte, os docentes dispõem de apenas 5 horas semanais remuneradas para essas atividades extraclasse, precisando gerenciar 18 turmas em sala de aula e uma média de 90 estudantes, que pode chegar a 300 em alguns casos.

Luta por qualidade e status das ações jurídicas

O Comando de Greve reitera que a paralisação não é motivada exclusivamente por reposição salarial, mas sim para que a qualidade da educação não desapareça. A suposta “escola de excelência” premiada na propaganda só mantém índices mínimos de dignidade porque a categoria resiste há anos às constantes investidas de precarização. Sobre as notícias veiculadas pela imprensa a respeito de uma possível judicialização movida pela Defensoria Pública para impor atendimento mínimo, o comando informa que, até o presente momento, não recebeu nenhuma notificação ou citação jurídica formal.