Contra a privatização e em defesa dos empregos, todo apoio aos metroviários

Privatização é escandalosa! Lance mínimo é inferior ao de um trem e mais de 80% da expansão será custeada pelos cofres públicos.

Trens novos, comprados em 2012 tem valor individual superior ao do lance mínimo do leilão. Foto: Abraão Bruck/CMBH

No dia de 23 de setembro, em uma ação conjunta do governo do estado de Romeu Zema (Novo) e do governo federal de Jair Bolsonaro (PL), foi publicado edital de desestatização da CBTU-MG (Companhia Brasileira de Trens Urbanos de Minas Gerais). O edital prevê a alienação total do transporte metroferroviário da região metropolitana de Belo Horizonte, o que inclui a operação, gestação e manutenção da rede da linha 1 (Vilarinho-Eldorado) e a linha 2 (Nova Suiça-Barreiro), ainda a ser construída.

A liquidação do patrimônio público é escandalosa. O lance inicial do leilão, previsto para ocorrer no dia 22 de dezembro, é de cerca de R$19 mi, valor inferior ao pago por um dos 10 trens comprados em 2012 para modernização do transporte. O valor investido pelo estado à época foi 210 milhões, mais de 10 vezes que o lance mínimo proposto pro Zema e Bolsonaro.

Além disso, a estruturação do edital de privatização não poderia ser mais entreguista. Do total de 3,7 bilhões necessários para a manutenção e expansão da linha 1, com a construção de uma nova estação no Novo Eldorado e da construção da Linha 2 (Nova Suiça-Barreiro), R$ 3,2 bi serão provenientes dos cofres públicos, com estruturação do BNDES, e apenas R$ 500 milhões deverão vir diretamente da iniciativa privada, o contrato de concessão é de 30 anos. Na prática, a empresa vencedora do leilão precisará arcar com apenas 14% das obras, mas se beneficiará de 100% da receita do sistema.

Luta contra a privatização

As trabalhadoras e trabalhadores do metrô tentaram de todas as formas impedir a venda da estatal. A categoria realizou diversas greves que retardaram o processo de privatização, visto que o plano do governo era de entregar a empresa à iniciativa privada até junho/2022. Com a desestatização, quase dois mil trabalhadores não terão garantia de emprego.

Para tornar o negócio ainda mais atrativo para a iniciativa privada, a CBTU tem iniciado um processo de aumento do valor da tarifa que subiu de R$ 1,80 para R$ 4,50 entre os anos de 2019 e 2021. Os aumentos são uma amostra do que vai acontecer quando a privatização for efetivada. Em todas as mobilizações, os trabalhadores denunciam que a privatização irá fazer com que o trabalhador pague mais caro pela passagem.

Em 2021, o poder público publicou uma resolução que impede a transferência dos funcionários para outras unidades da CBTU. A medida confirma o interesse em demitir trabalhadores e reduzir a folha salarial para agradar os participantes do leilão.

O Sindicato enfrentou vários processos por parte do governo, onde teve decisão judicial que declarou a greve ilegal e estipulou multa de R$ 30 mil para cada dia da paralisação. Ainda assim, os trabalhadores continuaram na luta.

Desde o ano passado, a categoria tem buscado o diálogo com o Ministério da Economia e o Ministério do Desenvolvimento Regional, porém, os representantes do governo não querem negociar com os trabalhadores.

A CSP-Conlutas e o Sind-REDE/BH reforçam o total apoio aos metroviários da grande Belo Horizonte e destacam a necessidade de se unir a outros movimentos paredistas em Minas Gerais, como dos petroleiros, que também estão em luta contra a privatização da Petrobrás; dos eletricitários; dos ecetistas; dos trabalhadores da saúde, contra a terceirização do SUS; bem como dos profissionais da enfermagem e da educação, que lutam pela implementação do piso salarial da categoria.

A unificação das lutas é o único caminho para barrar os ataques à classe trabalhadora.

FORA BOLSONARO!
FORA ZEMA!
NÃO ÀS PRIVATIZAÇÕES!

Diretoria Colegiada do Sind-REDE/BH