




Neste domingo (21/09), Belo Horizonte se uniu às manifestações que tomaram conta do país contra a chamada “PEC da Bandidagem” e o projeto que concede anistia aos condenados pela trama golpista.
Na capital mineira, milhares de pessoas se concentraram na Praça Raul Soares, a partir das 9h, e seguiram em marcha até a Praça da Estação, onde a manifestação teve a sua dispersão por volta das 13h. No auge, segundo os organizadores, o ato chegou a reunir mais de 50 mil pessoas.
O Sind-REDE/BH, ao lado da CSP-Conlutas, esteve presente com carro de som, faixas e cartazes que denunciavam a PEC da bandidagem e o projeto de perdão aos golpistas. E participando da coluna que abriu o ato com uma grande bandeira da Palestina. Nas falas, os representantes do Sindicato alertaram: “É preciso derrotar a PEC da bandidagem e enterrar de vez qualquer acordo para redução das penas dos golpistas. Mas mais que isso, também é preciso que a agenda dos trabalhadores seja pautada”. Para o Sind-REDE/BH, a classe trabalhadora precisa se organizar para arrancar vitórias como o fim da escala 6X1, com redução da jornada de trabalho e que os bilionários paguem impostos neste país. “Não é confiando no governo, nem no STF e muito menos no Congresso Nacional que conseguiremos avançar, mas sim confiando em nossas próprias forças, na força da classe trabalhadora.”
Pelas ruas, era possível ver cartazes e bandeiras estampando palavras de ordem como “Não à PEC da bandidagem” e “Sem anistia”. Militantes também exibiram fotografias com a legenda “traidores”, estampando os rostos dos deputados mineiros que votaram a favor da proposta, aprovada na Câmara na última quarta-feira (17/09), em segundo turno, por 344 votos a favor e 133 contrários.
Além de lideranças políticas e sindicais, o protesto contou ainda com a participação de artistas mineiros. Entre eles, a cantora Fernanda Takai, o rapper Renegado, a banda Lamparina, o cantor Rafa Ventura, a sambista Júlia Rocha, além de DJs e artistas da cena funk, como MC Mika e DJ Pitty Latuffe.
Mobilização nacional
As manifestações não se restringiram a BH. No mesmo dia, Salvador, Manaus, Natal, Belém, Brasília e João Pessoa também realizaram atos pela manhã. À tarde, foi a vez de Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro, onde, segundo um estudo da USP, mais de 50 mil pessoas lotaram a Praia de Copacabana em um protesto que contou com apresentações de grandes nomes da música brasileira, como Chico Buarque, Gilberto Gil, Djavan e Caetano Veloso.
Apesar de convocados em cima da hora, os atos contra a PEC da Blindagem e o projeto da anistia superam qualquer manifestação no país desde 2020.
O que está em jogo
A PEC da Blindagem estabelece que deputados e senadores só poderão ser processados com autorização prévia de suas Casas Legislativas, em votação secreta. Essa medida abre caminho para a impunidade de parlamentares envolvidos em crimes.
Já o Projeto da Anistia, que tramita em regime de urgência, visa perdoar ou reduzir penas de todos aqueles que penejaram e se articularam contra o estado democrático de direito, ou que participaram de acampamentos, atentados e atos de vandalismo ao patrimonio público no dia 8 de janeiro ou que, de alguma forma, lhes deram apoio. Isso inclui crimes políticos, eleitorais e até delitos previstos no Código Penal.
Ambas as propostas representam um ataque frontal à democracia e fortalecem a extrema-direita, que busca garantir a impunidade de seus representantes e apoiadores.
Um passo para virar o jogo
As manifestações deste domingo podem marcar uma virada de jogo na luta política nacional. A classe trabalhadora mostrou sua força nas ruas e deixou claro que não aceitará retrocessos. Agora, é hora de transformar essa energia em mobilização permanente para que as pautas dos trabalhadores cheguem ao Congresso Nacional:
- Fim da escala 6×1 e redução da carga horária de trabalho sem redução de salários;
- Revogação das Reformas trabalhistas e previdenciárias;
- Isenção do Imposto de Renda para quem ganha até 5 mil reais;
- Taxação das grandes fortunas;
- Fim das isenções e renúncia fiscal.
Que as manifestações deste domingo sejam só o primeiro passo. Seguiremos nas ruas construindo a resistência para uma mudança na agenda política, que paute os direitos da classe trabalhadora e por uma Palestina Livre do Rio ao Mar.














