Após intensos debates, delegados/as aprovam resoluções de conjuntura internacional, nacional e eleições
Também na segunda-feira (20), terceiro dia do 6° Congresso, a votação das resoluções de conjuntura internacional, nacional e sobre eleições foi um dos principais momentos do congresso, em um debate marcado por análises sobre a crise do capitalismo, os ataques de governos e patrões e as tarefas da classe trabalhadora.
Cada representante teve quatro minutos para apresentar suas posições e a votação final foi uma contra a outra. Ao final, nas quatro votações, as propostas do Bloco Classista Operário e Popular foram aprovadas pela ampla maioria dos delegados e delegadas do 6° Congresso.
Conjuntura internacional
A resolução aprovada do Bloco Classista Operário e Popular foi defendida pela professora Flávia Bischain, que apresentou uma análise baseada na crise estrutural do capitalismo e na intensificação das disputas inter-imperialistas.
A dirigente destacou que a central deve se posicionar ao lado dos povos oprimidos, defendendo a resistência ucraniana contra a invasão russa (sem apoio ao governo de Zelensky ou à OTAN), a luta do povo palestino contra o Estado de Israel e a soberania de países como Cuba e Venezuela frente à ingerência imperialista. Também reforçou a necessidade de ampliar campanhas anti-imperialistas e cobrar do governo brasileiro uma ruptura efetiva com Israel.
Entre as demais posições, o Danilo Paris, do MRT/Nossa Classe disse que na Ucrânia o imperialismo é o principal inimigo e criticou posições que classificou como “apoio ao governo Zelensky”, e que a Central deve priorizar o combate à OTAN.
Verônica O’Kelly, da Unidos para Lutar, questionou essa caracterização e enfatizou o direito de autodeterminação do povo ucraniano, sem qualquer apoio à OTAN, assim como o fim do estado racista e genocida de Israel.
Mateus, do MRS/MPR, enfatizou a crise do capitalismo desde 2008 e a existência de um ciclo global de lutas, criticando a leitura de uma “onda reacionária” mundial.
Já Lorena, da CST Combate, destacou a possibilidade de maior unidade política e defendeu o fortalecimento das campanhas anti-imperialistas e antissionistas no país.
Conjuntura nacional
Na resolução sobre a situação brasileira, o centro do debate foi a avaliação do governo Lula/Alckmin e como enfrentar o bolsonarismo e a extrema-direita sem abdicar da independência de classe.
Foram seis teses apresentadas: Nossa Classe (Brandão), MPR/MRS (Dayse), Unidos para Lutar (Ângelo), Bloco Classista Operário e Popular (Duda), CST (Danilo) e Frente Socialista Revolucionária (Davi). Cada representante teve quatro minutos para apresentar suas posições e a votação final foi uma contra a outra.
A proposta do Bloco Classista Operário e Popular foi aprovada de forma majoritária. A defesa do texto foi feita pelo dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos de Inconfidentes Rafael Ávila, o Duda. Segundo ele, a Frente Ampla explora o medo do retorno da extrema-direita para se apresentar como única alternativa, mas o governo Lula segue a serviço dos interesses do capital e do imperialismo.
Duda afirmou ainda que o governo combinou repressão à classe trabalhadora e controle social com pequenas concessões, como a isenção do IR, reajustes irrisórios do salário mínimo, mas manteve uma política que não rompeu com a dominação imperialista e precarizou as condições de vida.
Frente a esse quadro, a resolução aponta que a Central manterá sua oposição de esquerda ao governo Lula e combate à extrema direita.
Em suas defesas, o MRT/Nossa Classe afirmou que a colaboração de classes da Frente Ampla é o que abre espaço para a extrema direita. Defendeu a unificação das greves. O MPR/MRS defendeu uma oposição “para valer”, afirmando que tanto Lula quanto a ultradireita governam para a burguesia, citando a letalidade policial em governos petistas como exemplo.
A Unidos para Lutar destacou a necessidade do combate ao feminicídio e na polarização entre classe trabalhadora e burguesia. A CST e o MFSR propuseram, respectivamente, a construção de uma frente de esquerda independente e a realização de uma plenária nacional para impulsionar as lutas em curso.
Eleições 2026
Em um ano de eleições gerais, o 6° Congresso também aprovou uma resolução sobre o tema e como a CSP-Conlutas deve se colocar diante do cenário político e no processo eleitoral.
A partir da proposta apresentada pelo Bloco Classista Operário e Popular, houve defesas contra e a favor, e a resolução foi aprovada pela maioria dos delegados e delegadas.
No centro das discussões esteve a necessidade de afirmar a independência de classe diante da polarização entre o governo Lula e a extrema direita, e como intervir concretamente nas eleições sem subordinar a luta dos trabalhadores ao calendário institucional.
A defesa da resolução foi feita foi defendida pela trabalhadora petroleira Stephanie (PSTU) e Adriano (CST).
Em suas intervenções, destacaram que a central deve atuar ativamente no debate eleitoral como parte da disputa de consciência da classe trabalhadora, sem abrir mão da mobilização direta nas ruas e nos locais de trabalho. Argumentaram que há dois projetos em disputa: de um lado, a frente ampla liderada pelo PT, subordinada aos interesses imperialistas e responsável por políticas como a entrega de riquezas nacionais e o favorecimento de acionistas; de outro, a extrema direita, caracterizada como um projeto de ataque frontal aos direitos da classe trabalhadora, com políticas racistas, misóginas e antipopulares.
Diante desse cenário, afirmaram que não é possível deixar trabalhadores e juventude reféns dessas alternativas e que, por isso, a CSP-Conlutas deve intervir no processo eleitoral com um programa próprio, de caráter classista e socialista, reafirmando a independência política e organizativa da classe. Ao mesmo tempo, rejeitaram a ideia de abstenção ou de retirada do debate eleitoral, defendendo que é necessário dialogar com a base sobre as eleições e apresentar uma alternativa que rompa com os projetos da burguesia e suas variantes reformistas.
Na posição contrária, o metroviário Altino (MPR/MRS) defendeu o voto nulo. Segundo ele não há diferenças qualitativas entre as candidaturas colocadas, incluindo setores da esquerda como PSOL, UP e PCB, apontados como, na prática, alinhados ao governo Lula. Assim, defendeu que a Central adotasse uma posição de rejeição a todas as candidaturas, tanto no primeiro quanto no segundo turno, com defesa explícita do voto nulo, como forma de não legitimar nenhum projeto considerado burguês ou conciliador.
Via site da CSP-Conlutas