Sind-REDE/BH manifesta apoio à greve dos trabalhadores dos Correios e da Petrobras

Entidade se solidariza com as categorias em luta e denuncia a intransigência do governo federal diante dos ataques a direitos históricos

O Sind-REDE/BH manifesta seu irrestrito apoio às greves nacionais dos trabalhadores e trabalhadoras dos Correios e da Petrobras, que enfrentam, neste momento, a intransigência das direções das estatais e a conivência do governo federal Lula/Alckmin com ataques a direitos históricos da classe trabalhadora.

No caso dos Correios, o Sind-REDE/BH endossa integralmente a posição da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), que orientou a rejeição da proposta apresentada pela empresa e a deflagração da greve nacional. É inaceitável que, após meses de negociações arrastadas e improdutivas, a direção da ECT tente empurrar para o Tribunal Superior do Trabalho (TST) a responsabilidade que é sua, convocando audiência de conciliação em pleno Natal, como um verdadeiro “presente de grego” aos trabalhadores.

Além disso, o TST estabeleceu o contigente mínimo de 80% de funcionamento da empresa, o que na prática fere o direito constitucional a greve. Caso encontro saia sem acordo, uma sessão extraordinária está marcada para terça-feira (30/12)

A proposta apresentada pela empresa representa retirada de direitos históricos, rebaixamento da pauta econômica e sequer garante a recomposição integral da inflação. As tentativas de manobra para aprovar um Acordo Coletivo de Trabalho com retrocessos evidenciam ingerência patronal no movimento sindical e desrespeito à soberania da base. O encaminhamento ao dissídio coletivo, longe de ser solução, confirma a incapacidade da direção dos Correios em negociar de forma séria e respeitosa com a categoria.

Também expressamos solidariedade ativa aos petroleiros e petroleiras que seguem em greve, oito sindicatos petroleiros permanecem em greve, representando grande parte dos trabalhadores da Petrobras em todo o país.

A greve dos petroleiros escancara uma contradição central do atual governo federal: embora eleito com o apoio da classe trabalhadora, mantém uma política de conciliação que preserva os interesses dos acionistas (muitos deles estrangeiros), sustenta a lógica dos dividendos bilionários e não reverte as privatizações e desmontes herdados do governo Bolsonaro. A repressão aos piquetes, a judicialização da greve e a pressão política para desmobilização revelam que, quando os trabalhadores ousam lutar, encontram pela frente o aparato do Estado e das direções alinhadas ao governo.

Para o Sind-REDE/BH, a experiência histórica demonstra que nenhum direito foi conquistado sem luta. A defesa dos serviços públicos, das estatais estratégicas e da valorização de seus trabalhadores passa, necessariamente, pelo fortalecimento das greves, da organização de base e da independência do movimento sindical frente aos patrões e também a qualquer governos, sejam eles de direita ou de conciliação.

Aos trabalhadores dos Correios e da Petrobras, reafirmamos nossa solidariedade de classe. A luta de vocês é também a luta dos trabalhadores em educação e de toda a classe trabalhadora brasileira. Seguiremos juntos na defesa dos direitos, do serviço público e de um projeto de país que coloque a vida e a dignidade dos trabalhadores acima do lucro dos acionistas e que defenda essas estatais, que são verdadeiros patrimônios do povo brasileiro.