Sind-REDE/BH e Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL) fortalecem diálogo internacional em defesa da educação pública e da luta sindical

Encontro em Lisboa reuniu dirigentes das duas entidades para debater os desafios da educação no Brasil e em Portugal, ampliar o intercâmbio sindical e reafirmar o compromisso com a valorização docente e a democracia

Na manhã do dia 29 de julho, o Sind-REDE/BH participou de uma reunião com representantes do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL), em Lisboa, Portugal. Aproveitando a presença do diretor do Sind-REDE, Pedro Valadares, no país, em uma viagem de caráter particular, foi construída uma agenda de diálogo entre as duas entidades com o objetivo de promover a troca de experiências, fortalecer a cooperação sindical internacional e analisar os desafios comuns enfrentados pelos trabalhadores e trabalhadoras da educação.

Fundado em 1974, durante o processo da Revolução dos Cravos, o SPGL consolidou-se como uma das mais importantes organizações sindicais de Portugal, pautando sua atuação na independência, na democracia e na defesa da valorização docente e da escola pública. Segundo algumas fontes, seu estatuto serviu de inspiração para a constituição do Sind-UTE/MG, evidenciando a influência histórica do sindicalismo docente português na organização dos trabalhadores da educação em Minas Gerais, incluindo o Sind-REDE, sucessor da Subsede de Belo Horizonte do Sind-UTE.

A reunião teve como eixo central a análise da conjuntura política internacional, marcada pelo avanço da extrema direita em diversos países e pelas ameaças às instituições democráticas, além da discussão sobre a realidade da educação pública no Brasil e em Portugal.

Durante o encontro, o Sind-REDE apresentou um panorama da situação brasileira, destacando a desvalorização dos profissionais da educação, a destruição das carreiras, o avanço da privatização do ensino público e a realidade vivida em Belo Horizonte. A entidade denunciou o tratamento dispensado pelo governo Álvaro Damião e pela Secretaria Municipal de Educação (SMED) aos trabalhadores da educação, caracterizado por ataques aos direitos, ampliação da privatização do atendimento, falta de valorização da categoria e tentativas de enfraquecimento da organização sindical.

Os representantes do SPGL também apresentaram os principais desafios enfrentados atualmente pelos docentes portugueses. Entre eles, destacam-se a desvalorização social e profissional da carreira, os baixos salários (cerca de 1.700 euros para professores em início de carreira, em uma jornada de 35 horas semanais, sendo 22 em sala de aula), a crescente falta de professores nas escolas, decorrente da perda de atratividade da profissão entre os jovens, e o avanço da privatização do ensino.

Ao longo da reunião, ficou evidente que, apesar das diferenças entre os dois países, muitos dos problemas relacionados às políticas educacionais, às condições de trabalho e à valorização docente são comuns. Os participantes ressaltaram a importância de ampliar a cooperação entre organizações sindicais de diferentes países, favorecendo o intercâmbio de experiências, estratégias de mobilização e formas de enfrentamento aos desafios impostos à classe trabalhadora em um contexto de profundas transformações sociais, políticas e tecnológicas.

Ao final do encontro, Pedro Valadares apresentou sua pesquisa de doutorado, desenvolvida na UFMG, que investiga o uso das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC) pelos sindicatos docentes. O estudo demonstra como as ferramentas digitais podem fortalecer a ação sindical, ampliar a participação da categoria e aproximar sindicatos de diferentes países, contribuindo para a construção de redes internacionais de solidariedade e luta.

Participaram da reunião, pelo SPGL, Joaquim Carvalho, dirigente da entidade e membro do Secretariado Nacional da Federação Nacional dos Professores (FENPROF), e, na parte final do encontro, José Costa, presidente da Direção Central do SPGL e secretário-geral da FENPROF. Ao término da atividade, houve a troca de materiais institucionais e de contatos, reafirmando o compromisso de manter o diálogo e construir novas iniciativas conjuntas.

Fortalecer os laços entre sindicatos é fortalecer a defesa da educação pública, da democracia e da organização internacional da classe trabalhadora.

Nota: Trabalhadores em Educação concursados da Região Metropolitana de Belo Horizonte podem participar da pesquisa de doutorado acessando o formulário AQUI.