A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (17) a 10ª fase da Operação Overclean e voltou a mirar o ex-secretário municipal de Educação de Belo Horizonte, Bruno Barral. A nova etapa investiga suspeitas de irregularidades em contratações realizadas pela Secretaria Municipal de Educação (SMED) entre 2024 e 2025. Ao menos três contratos investigados somam mais de R$ 80 milhões.
Segundo informações divulgadas pelo Portal G1, O Tempo e O fator, foram expedidos 24 mandados de busca e apreensão, cumpridos em Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Tocantins, Paraná e Espírito Santo. Entre os alvos estão, além de Barral, empresários já citados em fases anteriores da investigação, como Marcos Moura e Alex Parente. A apuração é conduzida pela Polícia Federal com autorização do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com a PF, a investigação apura possíveis direcionamentos de procedimentos para a contratação de empresas responsáveis pelo fornecimento de serviços e materiais didáticos utilizados na rede municipal de ensino. Os fatos podem caracterizar crimes contra a administração pública, fraude em licitações e contratos, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Bruno Barral volta ao centro das investigações
A operação desta quinta-feira não é a primeira vez que Bruno Barral aparece entre os alvos da Operação Overclean.
Em abril de 2025, quando ocupava o cargo de secretário municipal de Educação de Belo Horizonte, Barral foi afastado por decisão do ministro Kassio Nunes Marques, em uma fase anterior da operação. Naquele momento, as investigações estavam relacionadas a suspeitas envolvendo sua atuação anterior como secretário de Educação de Salvador.
Agora, entretanto, a investigação volta a alcançar diretamente contratos relacionados à Educação de Belo Horizonte.
Segundo reportagem de O Fator, a PF também analisa mensagens extraídas do celular do empresário Marcos Moura que teriam registrado conversas com o então prefeito Fuad Noman sobre a formação do secretariado municipal. Conforme relatado pelo veículo, a Polícia Federal interpretou os diálogos como indicativos de interesse de Moura na indicação de Barral para o comando da Secretaria Municipal de Educação. Essa informação integra a apuração policial e ainda está sujeita ao avanço das investigações.
“Cadê o dinheiro da Educação?”: uma pergunta que os trabalhadores já fazem há mais de um ano
A nova operação da Polícia Federal acontece em um contexto no qual os trabalhadores da Educação de Belo Horizonte vêm questionando publicamente a destinação dos recursos da área.
Desde 2025, a categoria vem questionando: “Cadê o dinheiro da Educação?”. Durante a greve que durou 29 dias, estavam a valorização salarial, melhores condições de trabalho, contratação de profissionais e questões relacionadas à estrutura das escolas.
As lutas continuaram em 2026, e junto mais ataques como os cortes de salários, profissionais com concursos aprovados e não são chamados, redução de recursos destinados às escolas e a mudanças na organização da Educação Infantil. Além da redução de 25% a 50% nas verbas de manutenção das escolas em 2026. O sindicato também vem defendendo a instalação de uma CPI da Educação na Câmara Municipal de Belo Horizonte.
A investigação da PF reforça a necessidade de acompanhar de perto como o dinheiro destinado à Educação municipal está sendo utilizado, quais empresas são contratadas e quais critérios orientam essas contratações.
A nova fase da Operação Overclean também coloca uma questão mais ampla em debate: como os recursos da Educação municipal são planejados, contratados e fiscalizados?
A repetição de questionamentos envolvendo contratos públicos e agentes que estiveram relacionados à gestão da Educação torna ainda mais necessária a transparência sobre os processos de contratação, os valores envolvidos, as empresas beneficiadas e os mecanismos de controle utilizados pela Prefeitura.
Diante da nova operação da Polícia Federal, ganha ainda mais importância que contratos, valores e decisões administrativas sejam acompanhados não apenas pelos órgãos de investigação e controle, mas também pela sociedade e pelos trabalhadores da Educação.