Nota de Solidariedade à greve dos trabalhadores da construção civil de Belém

Trabalhadores que atuam nas obras da COP 30 paralisam atividades por reajuste salarial, melhores condições de trabalho e justiça social.

Manifestação dos trabalhadores da Construção Civil em Belém, nesta terça-feira (17/09). Foto: STICMB/Reprodução

Os trabalhadores da construção civil e do setor mobiliário de Belém, Ananindeua e Marituba estão em greve por tempo indeterminado desde a última terça-feira (16/09). Mais de 5 mil operários cruzaram os braços, o que representa cerca de 70% das obras em andamento na capital paraense, incluindo empreendimentos diretamente ligados à COP 30, como a Vila Guiné que deve hospedar chefes de Estado, o setor hoteleiro e o Parque da Cidade.

A categoria reivindica reajuste salarial de 9,5%, Participação nos Lucros e Resultados (PLR) em duas parcelas de R$ 378, além de aumento da cesta básica de R$ 110 para R$ 270 mensais, ainda abaixo do custo real apontado pelo Dieese, de R$ 687,30. Também fazem parte das pautas melhorias nas condições de trabalho e promoção das mulheres no setor.

A proposta patronal inicial de apenas repor a inflação (5,5%) e acrescentar R$10 à cesta básica foi rejeitada pelos trabalhadores. Após três dias de greve, a nova proposta subiu para 6% e R$20 na cesta, índices ainda considerados insuficientes. A intransigência do Sinduscon (sindicato patronal) tem levado o sindicato dos trabalhadores (STICMB) a negociar diretamente com construtoras, conquistando avanços importantes: na Roma Engenharia, foi fechado acordo com 8% de reajuste, cesta de R$ 210 e PLR conforme a pauta de reivindicação; já na Vila Galé, que integra a COP 30, os trabalhadores arrancaram a totalidade da pauta de reivindicação, com 9,5% de reajuste, cesta de R$ 270 e a PLR.

O Sind-REDE/BH manifesta total solidariedade à greve dos operários da construção civil do Pará. Sua luta é por dignidade e condições de vida mínimas, enquanto governos e empresas tentam vender ao mundo a imagem de um país sustentável, sem resolver as profundas desigualdades que marcam o cotidiano da classe trabalhadora.

A COP 30 e as contradições do discurso climático

Governo Lula afirma que a COP30 dará voz aos povos da Amazonia, enquanto dá aval ao Congresso para “passar a boiada” com PL da devastação. Foto: Henrique Raynal / Casa Civil

Entre os dias 10 e 21 de novembro, Belém sediará a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), primeira realizada na Amazônia. O evento ocorre em um contexto de colapso climático acelerado: em 2024, a temperatura global ultrapassou pela primeira vez a marca de 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais.

Desde a criação da conferência em 1995, as emissões globais só cresceram, apesar de sucessivos acordos climáticos. O Acordo de Paris (COP 21) previa a redução de 40% das emissões até 2030 e a neutralidade em 2050. Mas o que se vê é o avanço do agronegócio, da mineração predatória e da queima de combustíveis fósseis – setores com forte influência no Congresso Nacional e que seguem ditando a agenda.

O presidente Lula afirmou que a COP 30 dará voz à Amazônia. No entanto, ao não vetar integralmente o PL da Devastação, mostrou os limites do governo diante da pressão do Congresso Nacional, que defende com unhas e dentes a agenda de exploração do agronegócio e das grandes corporações ligadas à mineração predatória.

Chamado à reação: a Cúpula dos Povos e o Dia Global de Ação

Enquanto chefes de Estado discutem negociações oficiais na COP 30, a sociedade civil se organiza paralelamente na Cúpula dos Povos, também em Belém. O espaço reunirá movimentos sociais, sindicatos, povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, reafirmando que aqueles que menos contribuíram para a crise climática são os que mais sofrem com seus impactos.

No 15 de novembro, data do Dia Global de Ação, milhares de pessoas devem sair às ruas de Belém e de diversas cidades do mundo, exigindo justiça climática, combate ao racismo ambiental e enfrentamento da impunidade corporativa.

O Sind-REDE/BH se soma a esse chamado. É preciso ir para as ruas para exigir dos governantes de todo o mundo uma alternativa à esse modelo predatório de desenvolvimento que só beneficia os mais ricos, enquanto torna a vida dos trabalhadores cada vez mais difícil. Enquanto os políticos e bilionários estão protegidos em suas salas climatizadas, os trabalhadores sofrem com as ondas de calor, que tornam as condições de trabalho ainda mais difíceis e exigem mais gastos para manter uma vida minimamente digna.