Greve continua: trabalhadores em educação mantêm paralisação após 21 dias de luta

Categoria avalia que propostas da PBH não respondem à reivindicação central da greve: o índice rebaixado de reajuste salarial

Em uma das maiores assembleias da greve, trabalhadores em educação votam pela continuidade do movimento paredista.

Com mais de duas mil pessoas presentes na Praça da Estação, os trabalhadores em educação da Rede Municipal de Belo Horizonte decidiram, por ampla maioria, na tarde desta quinta-feira (26/06), pela continuidade da greve, que já completa 21 dias. A paralisação segue forte, atingindo cerca de 80% das escolas da capital.

A assembleia foi convocada para avaliação das propostas apresentadas pela Prefeitura nas reuniões realizadas na última terça (24/06) e quarta-feira (25/06). Foram os primeiros encontros de negociação desde o início da greve. No entanto, apesar da mobilização e da força do movimento, o governo municipal manteve o índice de recomposição salarial em apenas 2,49% para 2025, sem apresentar qualquer nova proposta econômica.

A categoria considera que, mesmo com avanços pontuais em outros itens da pauta, a manutenção do reajuste rebaixado é um entrave para o fim da greve. O índice, abaixo da inflação acumulada, não ajuda a cobrir as perdas salariais históricas da categoria, tanto em relação à inflação, quanto em relação aos reajustes do Piso Nacional do Magistério. A ausência de propostas econômicas concretas para o ano de 2025 foi decisiva para a decisão coletiva de seguir em greve.

Diante da intransigência do governo municipal em melhorar a proposta salarial, a categoria respondeu à altura: “Damião: inimigo da Educação!”  – a nova palavra de ordem marcará presença em todos os atos e novos materiais produzidos pelo sindicato.

Propostas insuficientes

Entre os pontos apresentados pela Prefeitura está a implementação da 6ª e 7ª progressão por pós-graduação, um avanço, mas que não representa recomposição salarial para 2025. A proposta também não contempla os aposentados, que enfrentam uma defasagem ainda maior e não têm acesso à progressão por formação.

Outro ponto debatido foi a nomeação de 376 professores para os anos iniciais do ensino fundamental. Embora a medida seja positiva, os números estão longe de atender à real necessidade das escolas. Este número consegue cobrir à proposta de expansão do número de professores para o Atendimento Especializado Educacional (AEE), fundamental para a inclusão de estudantes com deficiência. Contudo, trata-se de uma nova demanda, e não responde ao déficit de professores acumulado nos últimos anos, tampouco contribui para melhorar as condições de trabalho no cotidiano escolar.

Por não conseguir cobrir nem metade do déficit atual,  a proposta não avança na pauta de redução do número de estudantes por sala de aula — uma das demandas centrais da categoria.

Índice de reajuste é central

A pauta de reivindicações da greve vai muito além da questão salarial. Ela inclui reestruturação do quadro de pessoal, melhores condições de trabalho, valorização da carreira e planejamento educacional. Ainda assim, foi a tentativa de imposição de um reajuste rebaixado de 2,49% que desencadeou o movimento paredista.

Com a decisão, por ampla maioria, de manter a greve, os trabalhadores e trabalhadoras da educação reafirmam sua firmeza na luta por respeito, valorização profissional e uma educação pública de qualidade, mas também sua disposição para o diálogo.

Dessa forma, a assembleia geral definiu que a pauta completa segue como reinvindicação para negociações futuras, mas com a finalidade de encerrar o movimento grevista, deliberou como contraproposta:

  • O índice de 6,27% (reajuste do piso nacional do magistério em 2025), retroativo a janeiro;
  • Autonomia para organização do calendário de reposição da greve;
  • Não corte dos dias de greve;
  • Manutenção de todos os demais itens já apresentados pela prefeitura.

A mobilização continua e a categoria segue vigilante. A próxima assembleia acontece no dia 01/07 (terça-feira), às 9h, na porta da Prefeitura de Belo Horizonte.

Calendário

SEX 27/06 | 8h e 14h: Regionais de Greve
De 9h às 18h, no Auditório da Faculdade Arnaldo: Audiência Pública “Não à Pejotização e à Precarização do Trabalho” (Praça Arnaldo Janssen, 200, Funcionários – BH)

SÁB 28/06 | 10h, no Parque Municipal Américo Renné Giannetti: Piquenique e roda de conversa entre professores e familiares (ponto de encontro: gramadão atrás do Palácio das Artes)

DOM 29/06: Panfletagem nas regionais (a combinar nas regionais)

SEG 30/06 | 14h, na Porta da PBH: Ato da Resistência (Av. Afonso Pena, 1.212, Centro – BH)

TER 01/07 | 9h, na Porta da PBH: Assembleia de Greve dos Trabalhadores Concursados (Av. Afonso Pena, 1.212, Centro – BH)

CONVITE:

DOM 29/06: 08h30, na Praça Sete: Caravana Glauber Fica!

Outras votações

Os trabalhadores também denunciaram que a SMED tem enviado e-mails para os trabalhadores convocando-os para formações durante o período da greve. Como resposta a assembleia definiu que nenhuma formação seja retomada enquanto o movimento grevista seguir que as que estão acontecendo (como as da EJA e da Educação Infantil) devem ser suspensas.

Participação no programa Tribuna do Trabalhador do sindicato da construção civil, da Rádio Favela, para divulgar os motivos da greve para a comunidade.

Ato Público

Após a assembleia a categoria seguiu em marcha em direção à porta da Prefeitura, confira as fotos: