Fim da escala 6X1: adiamento no Senado aumenta pressão por mobilização dos trabalhadores

Presidente do Senado afirma que PEC que reduz a jornada de trabalho só deve ser votada após o primeiro turno das eleições

A luta pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada de trabalho entrou em uma etapa decisiva. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre afirmou nesta quinta-feira (3) que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do tema não será votada pelo plenário antes do primeiro turno das eleições.

A declaração ocorreu após cobrança do senador Paulo Paim sobre o andamento da proposta. O adiamento preocupa trabalhadores e organizações sindicais, já que a PEC havia acabado de avançar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e estava pronta para seguir ao plenário.

A escala 6×1 é uma das principais reivindicações da classe trabalhadora. Para milhões de trabalhadores, a rotina significa pouco tempo para a convivência familiar, o lazer, os estudos, o descanso e os cuidados com a própria saúde.

PEC avança, mas votação é adiada


A proposta que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada foi aprovada pela CCJ na quarta-feira (2). Com isso, o texto ficou apto a ser analisado pelo plenário do Senado.

O anúncio de Alcolumbre, no entanto, adia essa etapa justamente quando a proposta ganha força no debate público. A decisão também ocorre em meio à crise política provocada pelas investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e à intensa disputa entre setores do Congresso, do governo e do Judiciário.

Enquanto Brasília concentra as atenções em disputas políticas e escândalos que pouco dizem respeito à vida cotidiana da maioria da população, uma pauta capaz de produzir mudanças concretas nas condições de trabalho fica em segundo plano.

Para quem trabalha seis dias por semana, porém, a redução da jornada não pode esperar.

Pressão patronal ameaça avanço da proposta


A manutenção da jornada de até 44 horas semanais e da escala 6×1 interessa diretamente aos setores empresariais que lucram com jornadas extensas e com a intensificação do trabalho. Para a classe trabalhadora, o debate é outro: trata-se de garantir o direito ao descanso e de distribuir melhor o tempo entre trabalho e vida.

O risco é que o adiamento se transforme em uma estratégia para postergar a discussão indefinidamente. Sem mobilização, senadores contrários à redução da jornada podem se sentir mais à vontade para votar contra a medida, sem enfrentar uma pressão significativa nas ruas.

Fim da 6×1 é uma luta de toda a classe trabalhadora


O fim da escala 6×1 não é uma reivindicação restrita a uma categoria profissional. É uma luta que interessa a todos os trabalhadores submetidos a jornadas exaustivas e à falta de tempo para viver.
Ter mais tempo para a família, para o descanso, para estudar, cuidar da saúde e participar da vida social também é uma questão de qualidade de vida e de dignidade.

Por isso, o adiamento da votação deve servir como alerta. Se o Congresso não sente a pressão das ruas, a tendência é que a pauta dos trabalhadores seja empurrada para depois.

O fim da escala 6×1 não pode ficar para depois. A hora de organizar a luta é agora.