O Sind-REDE/BH é um sindicato classista, independente dos governos e dos patrões. Nossa história é marcada pela organização e pela mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras da educação em defesa dos direitos da categoria, dos serviços públicos e dos interesses da classe trabalhadora em geral.
Essa independência orienta nossa atuação e exige uma posição crítica diante de qualquer governo e de enfrentamento quando atacam nossos direitos, reduzem investimentos sociais ou adotam medidas contrárias aos interesses dos trabalhadores.
Com base nesses princípios e na avaliação da conjuntura política, a Diretoria Colegiada do Sind-REDE/BH chama a categoria a votar em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para presidente da República neste segundo turno.
Esse chamado não representa apoio ao seu governo nem altera nossas reivindicações. Continuaremos cobrando o atendimento das pautas da categoria, criticando medidas contrárias aos nossos direitos e organizando a mobilização necessária para enfrentá-las.
Neste segundo turno, a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) representa um projeto de extrema direita que ameaça aprofundar os ataques aos direitos sociais e trabalhistas, aos serviços públicos, à educação, às organizações da classe trabalhadora e ao meio ambiente. O resultado dessa disputa terá consequências para as condições de vida da população e para a capacidade dos trabalhadores de se organizar e lutar por seus direitos.
Reconhecemos os limites da democracia burguesa, que não assegura os direitos e os interesses da classe trabalhadora. Entretanto, a preservação das liberdades democráticas é parte importante para a atuação dos sindicatos, dos movimentos sociais e das organizações populares. Defender essas liberdades exige enfrentar projetos políticos associados à criminalização das lutas sociais, ao enfraquecimento das organizações dos trabalhadores e à retirada de conquistas democráticas.
A experiência da pandemia de Covid-19 também precisa ser considerada nessa avaliação. O Brasil ultrapassou a marca de 700 mil mortes pela doença. A condução da crise sanitária pelo governo de Jair Bolsonaro foi questionada por instituições científicas, pesquisadores e pela CPI da Pandemia, especialmente quanto à aquisição de vacinas, às medidas de enfrentamento da doença e à comunicação pública. Essa experiência permanece relevante para o debate atual sobre a responsabilidade do Estado na proteção da vida e na garantia dos direitos sociais.
A soberania nacional constitui outro aspecto central dessa disputa. O Brasil tem reservas de minerais críticos e terras raras, recursos estratégicos para a tecnologia, a energia, a indústria e a defesa. Em maio de 2026, após um encontro com Donald Trump, Flávio Bolsonaro declarou que, caso eleito, estabeleceria parcerias estratégicas de longo prazo com os Estados Unidos nesse setor.
Esse posicionamento deve ser analisado em conjunto com a atuação de Eduardo Bolsonaro em apoio às tarifas impostas pelo governo Trump aos produtos brasileiros.
Para o Sind-REDE/BH, essa atuação e o alinhamento político defendido pela família Bolsonaro representam uma ameaça à soberania brasileira. A subordinação aos interesses dos EUA compromete o controle nacional sobre nossas riquezas e coloca em risco a proteção da Amazônia, dos territórios indígenas e dos demais biomas. Defendemos que os recursos estratégicos do país estejam sob controle do povo brasileiro e sejam utilizados em seu benefício.
Diante desse quadro, somamos esforços com outros sindicatos, movimentos sociais, organizações populares para derrotar eleitoralmente o projeto da extrema direita. Essa unidade se sustenta em um objetivo comum: ampliar a luta pela soberania nacional e por direitos sociais e liberdades democráticas necessárias à organização da classe trabalhadora. Ela não elimina nossas diferenças políticas nem compromete nossa autonomia sindical.
A mobilização popular, a organização sindical e a luta coletiva permanecem como nossos principais instrumentos para conquistar e preservar direitos. Nossa atuação nas escolas, nas assembleias, nas greves e nas mobilizações continuará sendo orientada pelas necessidades da categoria e pelos interesses da classe trabalhadora.
Independentemente do resultado das eleições, o Sind-REDE/BH seguirá organizando a luta em defesa da educação pública, dos trabalhadores e trabalhadoras e dos direitos sociais, com independência diante do governo eleito.
Em defesa da democracia, da soberania nacional, dos direitos e da educação pública, vote Lula presidente no segundo turno.