Teve início na noite desta terça-feira (16/12) a greve nacional dos trabalhadores dos Correios. A paralisação por tempo indeterminado, entrou em vigor às 22h e já atinge sete estados, sendo eles Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Ceará e Paraíba. Em São Paulo, a greve também foi aprovada pela base em diversas cidades, mesmo contra a orientação da direção do sindicato estadual.
Além dos estados em greve, outros 12 sindicatos deliberaram pela manutenção do estado de greve, sinalizando mobilização permanente e possibilidade de adesão ao movimento nos próximos dias. Estão nessa condição Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Maranhão, Pará, Piauí, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul, Roraima, Santa Maria (RS), Juiz de Fora (MG) e Bauru (SP).
A categoria cobra da direção da estatal a apresentação de uma proposta concreta de reajuste salarial, com reposição da inflação, e a manutenção de benefícios históricos do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), como o adicional de 70% nas férias, o pagamento de 200% para o trabalho aos finais de semana e o benefício de fim de ano conhecido como “vale-peru”, no valor de R$ 2.500.
Crise da empresa não pode ser paga pelos trabalhadores
Os Correios alegam que a situação financeira da estatal impede a concessão das reivindicações. A empresa acumula prejuízo de R$ 6,1 bilhões entre janeiro e setembro e tenta viabilizar um plano de reestruturação, que inclui a análise, no Ministério da Fazenda, de um pedido de empréstimo de R$ 12 bilhões. Uma tentativa anterior, de R$ 20 bilhões com garantia do Tesouro Nacional, foi rejeitada.
Os trabalhadores, no entanto, rebatem o argumento e afirmam que não são responsáveis pela crise da empresa e não podem ser sacrificados por ela. Denunciam a intensificação da precarização do trabalho, jornadas excessivas, sobrecarga física e emocional e salários defasados.
Mediação no TST sem acordo e tensão com o governo
O impasse se arrasta desde julho, quando venceu o atual ACT, negociado ainda pela gestão anterior da estatal. Desde então, o acordo vem sendo sucessivamente prorrogado sem avanços reais nas negociações.
Desde a última quinta-feira (11/12), o Tribunal Superior do Trabalho (TST) vem conduzindo reuniões de mediação entre as entidades sindicais e a direção dos Correios. Foram duas audiências na semana passada, uma na segunda-feira (15/12) e outras duas nesta terça-feira (16/12). Na última rodada, a empresa apresentou proposta de reajuste pela inflação e cedeu em alguns pontos, mas manteve a retirada do “vale-peru”, o que levou à rejeição da proposta pelas assembleias. A empresa também insistiu na mudança do regime de trabalho para 12 por 36, proposta já recusada anteriormente pelos trabalhadores.
Além disso, a direção da empresa insiste em mudanças consideradas gravíssimas pela categoria, como a redução do adicional de férias, alterações no plano de saúde, que deixará de ser mantido pela empresa, e o encerramento da entrega matutina.
A tensão aumentou após declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que afirmou não haver garantia de recursos sequer para o pagamento do décimo terceiro salário.
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, ainda ameaçou avançar com o processo de privatização dos Correios caso os trabalhadores decidissem pela greve. Uma chantagem imoral e antissindical que contradiz declarações anteriores do próprio governo Lula em oposição ao processo de privatização da estatal.
Mobilização em Minas Gerais
Em Minas Gerais, o SINTECT-MG convocou toda a base para a Assembleia Geral realizada na noite de ontem, na sede da CUT Minas. Na convocatória, o sindicato denunciou o que classifica como total desrespeito da direção dos Correios, que, segundo a entidade, não apresentou proposta econômica, ataca direitos históricos e se recusa a contratar os concursados, além de ignorar as condições reais de trabalho nas unidades.
Estado de greve e unificação das lutas
Nas assembleias realizadas, a manutenção do estado de greve em diversos estados reforça a tendência de ampliação da paralisação.Geraldinho Rodrigues, diretor da Fentect e integrante da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, criticou as direções que se posicionaram contra a greve. “A base quer o atendimento das reivindicações, como foi mostrado na assembleia de São Paulo. Para isso, passaram por cima da direção do sindicato”, afirmou.
O início da greve dos Correios ocorre em meio à paralisação nacional dos petroleiros do Sistema Petrobras, representando duas greves nacionais que se enfrentam diretamente com o Governo Federal. As greves abrem caminho para a unificação das lutas contra a retirada de direitos, o arrocho salarial e a precarização do trabalho no país. O Sind-REDE/BH manifesta solidariedade aos trabalhadores dos Correios e reafirma sua defesa aos serviços públicos e a necessidade da luta independente de qualquer governo.