Maior chacina da história do Brasil é estratégia política para reeleição de Cláudio Castro

Operação deixou mais de 120 mortos e é denunciada como genocídio de negros e pobres. Ato público em BH, nesta sexta, exige justiça e prisão do governador.

Mais de 120 pessoas foram assassinadas em operação. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A chamada “Operação Contenção”, realizada no Rio de Janeiro sob comando do governador Cláudio Castro (PL), já entrou para a história como a mais letal ação policial do país: até o momento, 123 pessoas foram mortas, destas, quatro são policiais. A maioria dos corpos foi abandonada na mata, sem perícia ou registro oficial, e recolhida pelos próprios moradores — uma cena de horror que expõe a desumanização completa das populações negras e pobres das favelas fluminenses.

Em vez de prestar contas à sociedade, o governador tenta transformar o massacre em palanque eleitoral, sustentando a narrativa de que todas as vítimas seriam “bandidos”, mesmo sem identificação ou investigação. Segundo juristas e especialistas em direitos humanos, a atitude demonstra uma tentativa cínica de legitimar o extermínio como política de segurança pública, se apoiando na polarização da sociedade e no populismo de ultra-direita para consolidar uma base eleitoral conservadora para o próximo ano.

Morte como política de Estado

Algumas entidades de direitos humanos classificam a operação como “genocídio”. A nota pública “Segurança não se faz com sangue”, assinada por 27 organizações da sociedade civil especializadas em segurança pública afirma que a chacina representa a consolidação de uma política baseada no uso da força e da morte, travestida de “guerra ao crime”. O documento lembra que, ao longo de quase 40 anos de democracia, as favelas do Rio têm sido o palco de uma política seletiva, racista e excludente, dirigida contra as populações negras e empobrecidas, “os resultados da operação expõem o fracasso e a violência estrutural do Estado.”

A comparação com outras tragédias é inevitável: o massacre do Jacarezinho (2021), que matou 27 pessoas, e o Massacre do Carandiru (1992), com 111 mortos, foram superados pela brutalidade da “Operação Contenção”.

Um governo que produz a morte

Para além das vidas destruídas, a operação revela o colapso da política de segurança no Rio de Janeiro. O orçamento previsto para as polícias em 2026 é de R$ 19 bilhões — recursos que, em vez de financiar inteligência e investigação, são usados para alimentar uma engrenagem de confronto e morte.

Mesmo com a gigantesca operação, o principal alvo, o traficante “Doca”, não foi capturado. Dos 123 mortos, 61 corpos foram encontrados depois do confronto, e os prejuízos ao crime organizado são mínimos: as armas apreendidas somam cerca de R$ 1,5 milhão, menos de 10% do faturamento mensal do Comando Vermelho.

Uma planilha apreendida durante a operação revela gastos de R$ 5 milhões em um único mês com armas e munição por criminosos do CV. Boa parte dos fornecedores são de CACs.

Enquanto isso, operações de inteligência, como a Carbono Oculto, realizada há dois meses contra o PCC, resultaram em R$ 9 bilhões de prejuízo à organização criminosa sem um único disparo.

O uso eleitoreiro da morte

Para o Sind-REDE/BH, a “Operação Contenção” simboliza o uso político da morte como ferramenta de governo. A política genocida de Cláudio Castro tem o mesmo DNA das ações de extermínio que se multiplicam em todo o país, sempre sob o pretexto de “combater o crime”, mas que, na prática, miram corpos negros e pobres.

O massacre do Rio não é um caso isolado — é parte de um projeto autoritário de poder, que transforma a polícia em instrumento de guerra interna e tenta normalizar o terror como política pública.

Risco à soberania

Não é à toa que Cláudio Castro utilizou o termo “narco-terrorista” para se referir ao Comando Vermelho, em um aceno claro à Trump e aos Estados Unidos, que visam intervir militarmente na América Latina sob o pretexto de combater esses grupos. É essa política que justifica os ataques recentes dos Estados Unidos à Venezuela e à Colômbia.

Segundo fontes próximas a Castro, um documento elaborado pela Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Rio foi entregue ao Consulado dos Estados Unidos no Rio de Janeiro, há cerca de oito meses, afirmando que o Comando Vermelho é um grupo terrorista com atuação nos Estados Unidos.

Chamado às Ruas

O Sind-REDE/BH se soma às entidades populares, sindicatos e movimentos sociais que convocam o ato nacional “Chamada geral contra a morte – O Estado mata negros e pobres no Rio de Janeiro e no Brasil”.

📣 Ato público em repúdio à chacina e à política genocida do governo Cláudio Castro
📍 Praça 7, Belo Horizonte
🗓 Sexta-feira, 31 de outubro
🕔 17h

O protesto exige a prisão do governador Cláudio Castro e de toda a cadeia de comando da Polícia Militar e Civil do Rio de Janeiro.Mais do que denunciar um massacre, é hora de dizer basta à morte como projeto político. É preciso que haja uma apuração rigorosa de todos os excessos cometidos, por uma comissão independente da Polícia e do Ministério Público do Rio! Justiça para todas as vítimas!