Sequestro: Israel intercepta Flotilha para impedir ajuda humanitária aos palestinos

Ação é considerada crime contra os direitos humanos internacionais

Embarcações da Global Sumud Flotilla, que viajavam com mantimentos humanitários para entregar na Faixa de Gaza, foram interceptadas em águas internacionais e tiveram a tripulação sequestrada por forças militares de Israel, por volta das 20h30 desta quarta-feira (1/10), no horário local.

A organização da Flotilha informou que os sistemas de comunicação das embarcações foram danificados antes da abordagem, com intuito de interromper as transmissões ao vivo, além de dificultar o envio de sinais de emergência.

Integrante do Setorial Internacional da CSP-Conlutas, o ativista Fábio Bosco acusa de criminosa a ação de do estado sionista. “Com esta ação o que o estado de Israel quer demonstrar é sua intenção em dar continuidade ao genocídio em Gaza ao impedir que o ingresso de ajuda humanitária, seja por terra, seja por ar, seja pelo mar”. De muitas embarcações, os ativistas filmaram a aproximação das forças israelenses e a interceptação. As imagens viralizaram nas redes sociais em todo o mundo.

Mesmo assim, a informação é de que os barcos não interceptados continuam navegando em direção à Gaza, mesmo sem comunicação. Na madrugada desta quinta (02/10), 30 barcos ainda navegavam a caminho de Gaza, a apenas 46 milhas náuticas de distância, apesar das ameaças incessantes da marinha de ocupação israelense. Mas várias delas foram interceptadas entre a madrugada e manhã de hoje: Otaria, Aurora, Yulara e Oxygono.

As informações mais recentes, indicam que quatro embarcações seguem para o enclave, Uma delas, a Mikeno, foi a primeira a atingir águas palestinas. Além dela, seguem com navegação ativa os barcos Marinette; Shireen e Summertime-Jong, que são “barcos de jurídico”, carregando advogados.

Nos cinco primeiros barcos interceptados estavam dez brasileiros. Entre eles, o integrante da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas Magno de Carvalho e ativista da CSP-Conlutas Bruno Gilga, trabalhador da USP, o ativista Thiago Ávila, que já foi preso em outra flotilha, a deputada federal Luzianne Lins (PT/CE), Mariana Conti, vereadora do PSOL em Campinas e Gabriele Tolotti, presidente estadual do PSOL.

Mundo revida com manifestações contra genocídio Palestino

Manifestações pelo mundo começaram a se formar com a notícia de este crime contra os direitos internacionais cometido por Israel. Ruas já estavam tomadas na noite de quarta-feira (1) na Itália, Bélgica, Alemanha, Espanha, Turquia. Na Itália, vanguarda das manifestações, uma greve geral está marcada para esta sexta-feira (3), convocada pela CGIL (Confederação Geral Italiana do Trabalho), maior central sindical do país. O movimento estudantil ocupou o colégio Ítalo Calvino, em Gênova, e universidades em Turim.

Reação Internacional

  • O Brasil afirmou que acompanha a interceptação com preocupação e que “deplora a ação militar do governo de Israel, que viola direitos e põe em risco a integridade física de manifestantes em ação pacífica”
  • Espanha convocou encarregada de negócios de Israel para conversa
  • África do Sul chama bloqueio de “grave ofensa” e pede libertação de cidadãos – incluindo o neto de Nelson Mandela. Nkosi Zwelivelile Mandela
  • Reino Unido diz que está “muito preocupado” com a situação e menciona “crise humanitária horrível”
  • Austrália afirmou que está ciente da detenção de ativistas e pediu “respeito às leis internacionais.