Nota de apoio do Sind-REDE/BH à greve nacional dos petroleiros e de repúdio à repressão policial

Reafirmamos nossa solidariedade ativa aos petroleiros e petroleiras em greve em defesa de suas pautas imediatas e de uma Petrobrás 100% pública.

O Sind-REDE/BH manifesta seu total apoio à greve nacional dos petroleiros e petroleiras, iniciada nesta segunda-feira (15/12), e repudia com veemência a repressão policial e a violência sofridas pela categoria já no primeiro dia de mobilização.

Após 103 dias de negociações, a Petrobras apresentou sua terceira e última proposta para o Acordo Coletivo de Trabalho, ignorando de forma deliberada as reivindicações dos trabalhadores. Conforme denunciado pelo diretor do Sindipetro-RJ e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), Eduardo Henrique, a gestão de Magda Chambriard tem, desde julho, imposto uma pauta rebaixada, incompatível com a dimensão da empresa e com seus lucros bilionários.

Mesmo sendo uma das maiores empresas do mundo e registrando resultados recordes, a Petrobras propõe um aumento real irrisório de 0,5% na Remuneração Mínima de Nível e Regime (RMNR), mera reposição inflacionária para os demais níveis, além de ataques à jornada de trabalho, supressão de folgas e regras diferenciadas para subsidiárias como Transpetro, PBIO e TBG. Trata-se de uma política que prioriza os interesses dos acionistas privados em detrimento dos direitos e da dignidade dos trabalhadores.

Diante desse cenário, a greve por tempo indeterminado é legítima e necessária. A resposta da empresa, no entanto, foi a repressão. Na Refinaria Duque de Caxias (RJ), dirigentes e ativistas foram presos arbitrariamente. Em Itaboraí (RJ), no Complexo Boaventura (antigo Comperj), trabalhadores também enfrentaram tentativas de intimidação, repressão e violência para impedir a adesão ao movimento.

A truculência adotada pela Petrobras evidencia o incômodo com a forte adesão nacional à greve e revela uma postura autoritária, incompatível com uma empresa pública. Esses ataques escancaram uma política que impõe perdas profundas aos trabalhadores, enquanto preserva interesses privados e mantém permanente a ameaça de privatização.

O Sind-REDE/BH se soma às manifestações de solidariedade expressas pela CSP-Conlutas, que acompanha a mobilização em diversas bases do país, e reafirma que a luta dos petroleiros diz respeito a toda a classe trabalhadora. Não é aceitável que bilhões sejam destinados a acionistas enquanto direitos são atacados, jornadas ampliadas e condições de trabalho precarizadas.

Reafirmamos nossa solidariedade ativa aos petroleiros e petroleiras em greve e defendemos que a unificação das lutas é fundamental para fortalecer as mobilizações, não apenas em defesa das pautas imediatas de cada categoria, mas também de uma Petrobras 100% pública, sob controle dos trabalhadores, a serviço do povo brasileiro e não subordinada aos interesses do mercado e de setores privados.

Nenhuma repressão vai calar a luta dos trabalhadores. Solidariedade à greve nacional dos petroleiros!