BH ocupa as ruas no ato nacional Mulheres Vivas para dizer basta ao feminicídio

Concentração será às 10h, na Praça Raul Soares. Ao menos 15 cidades também protestam no domingo (7/12) em resposta ao aumento da violência de gênero

Rovena Rosa/Agência Brasil

Belo Horizonte vai às ruas neste domingo, 7 de dezembro, para integrar o ato nacional Mulheres Vivas, mobilização que toma cidades de todo o país diante da escalada brutal da violência de gênero no Brasil. A concentração está marcada para as 10h, na Praça Raul Soares, e deve reunir coletivos feministas, movimentos sociais, mandatos parlamentares e centenas de pessoas indignadas com a omissão do poder público diante da tragédia anunciada: só em 2025, o país ultrapassou a marca de mil mulheres assassinadas por feminicídio, uma média de quatro vítimas por dia, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Casos recentes de violência motivam manifestações

A convocação nacional, articulada pelo movimento Levante Mulheres Vivas, denuncia o que já é considerado uma emergência. Casos recentes amplamente divulgados nas últimas semanas escancararam o perigo cotidiano enfrentado pelas mulheres. Entre eles, o assassinato de Catarina Karsten, estudante de pós-graduação morta enquanto caminhava na praia em Florianópolis; o ataque a tiros no Cefet Maracanã, no Rio de Janeiro, que vitimou a diretora Allane Pedrotti e a psicóloga Layse Costa Pinheiro; e o atropelamento brutal de Tainara Souza Santos, arrastada por cerca de um quilômetro na Marginal Tietê, em São Paulo, sobrevivendo com múltiplos ferimentos e amputações.

Essas violências emblemáticas se somam ao cenário já conhecido pelas mulheres brasileiras. A Pesquisa Nacional de Violência Contra a Mulher, realizada pelo DataSenado e divulgada em novembro, revela que 3,7 milhões de mulheres sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar em 2025. Quase 60% sofreram agressões nos últimos seis meses, e em 40% dos casos havia testemunhas adultas que não prestaram ajuda, um retrato alarmante da banalização da violência.

Mobilização toma o país: nenhuma a menos

As manifestações deste domingo acontecem em dezenas de cidades, unindo vozes diversas sob um mesmo grito: nenhuma a menos. Ao menos 15 cidades já confirmaram atos que devem acontecer durante todo o domingo.

Em BH, o ato pretende transformar a Praça Raul Soares em um espaço de denúncia e resistência, cobrando ações concretas do Estado e repudiando o avanço de pautas conservadoras que fragilizam políticas de enfrentamento à violência.