Uma luta que não começou e nem termina aqui

A luta do trabalhador é uma constante, conforme enfatiza o Coletivo dos trabalhadores aposentados do Sind-REDE, visto que “da luta […]

A luta do trabalhador é uma constante, conforme enfatiza o Coletivo dos trabalhadores aposentados do Sind-REDE, visto que “da luta ninguém se aposenta”. Os contornos, ressonâncias e desdobramentos de mais uma edição das Lutas da Educação Municipal em Belo Horizonte, desde o início desse ano de 2025, eclodiram e ecoaram por espaços físicos, virtuais e emblemáticos da capital mineira, como a Praça Sete, a Avenida Afonso Pena tomada e fechada em plena manhã da terça-feira, 01 de julho de 2025. E, literalmente, esteve na “boca do povo”, nos veículos de imprensa, nas redes sociais, na indignação marcante dos atos públicos de rua e praças, nas audiências, seminários, reuniões de conciliação, na potência das Assembleias da Categoria, nas indagações dos estudantes, quando do retorno às aulas: “Professora, o que você estava fazendo durante essa greve?”

Na leitura pessoal dessa autora, o Grande Encontro Marcado que a Categoria da Educação vivenciou e tem vivenciado consigo mesma, nesse tempo de lutas acirradas, tem repercutido as reiteradas denúncias sobre as graves mazelas que têm assolado a Educação Municipal: ataques e precarização do trabalho docente e dos demais trabalhadores em Educação, adoecimento laboral, não cumprimento do piso nacional do magistério sobre o nível inicial de ingresso na carreira docente, quadro estrangulado e defasado de profissionais no chão da escola, contratos com consultoria e aquisições de materialidade MEGA questionáveis, desprovidas de diálogo com quem está na linha de frente e com a mão na massa dentro das escolas, dentre outras mazelas que minam as potencialidades da Educação Pública de Qualidade.

Tomar ciência da História das Lutas da Categoria, aderir a luta, participar dela e sobre ela dialogar é também se apropriar de espaço e contexto pulsante de aprendizagem e formação cidadã, expansão da consciência política, fortalecimento do sentimento de pertença e identidade educacional. Para além das mobilizações sociais e da própria categoria da Educação, dos alertas sindicais constantes, das denúncias, enfrentamentos, batalhas e resistência, a edição da luta de 2025 que não se iniciou em janeiro e não terminará em dezembro, deixa bastante latentes, lições para se engajar já, no aqui e no agora!

O fortalecimento das bases sindicais e a capacidade de resposta da categoria, do Sindicato, do trabalhador às tomadas de decisões arbitrárias do Executivo Municipal, a exemplo do corte de ponto do trabalhador em movimento reivindicatório de greve, revelam pontos para fortalecimento da luta, a serem analisados e conjecturados para enfretamento contundente. Concretamente, cabem as indagações: Como anda o processo de Educação Financeira do trabalhador em Educação? Como está sendo a nossa preparação econômica para o enfrentamento de eventos extremos (cortes de ponto) que exigem alguma margem de reserva financeira? Qual é a capacidade sindical de subsidiar empréstimo financeiro a trabalhador em que, eventualmente, sofra a arbitrariedade do corte do ponto na folha de pagamento mensal?


Luciene Aparecida da Silva – Professora Municipal de 1º e 2º Ciclos na E. M. José Maria Alkmim