Uma greve vitoriosa política e economicamente

2025 foi marcado por fortes lutas da educação, com vitórias inquestionáveis.

Começamos o ano letivo com a greve de terceirizados, a mais forte depois da luta pela não demissão dos trabalhadores, diante da migração da MGS. Uma greve que colocou os trabalhadores terceirizados no centro das atenções da cidade e da prefeitura e colocou em xeque a política de terceirização. Não conseguimos as conquistas almejadas, mas demos passos importantes para avançarmos.

Em maio foi a vez dos trabalhadores concursados. Movimento que teve o apoio político da cidade e chegou a mobilizar mais de 90% da categoria. Nas duas situações a ação do Sind-REDE/BH foi imprescindível. Mas o determinante foram as condições de trabalho nas escolas e a falta de respeito da PBH com os servidores e os serviços públicos.

O reajuste de 2,49% foi, sem dúvida, o elemento mobilizador central. Respondido pela categoria com toda a força: 2,49% não é valorização e é “sacana demais”. As dificuldades de avançarmos para além dos 2,49% foi, em grande medida, por não termos tido uma greve do conjunto dos servidores contra este índice. Mas as conquistas obtidas, no índice, na carreira, para os aposentados, estão longe de serem desprezíveis, inclusive algumas das conquistas foram pleiteadas posteriormente pelos demais servidores.

Mais que essas conquistas, a cidade ficou a nosso favor e expusemos a dinâmica de um governo em seu início que não valoriza o trabalhador, que se ausentou da cidade no momento do conflito, que não dialogou com os grevistas e que deu sinais de autoritarismo e despreparo com a administração pública, sendo o responsável pelo prolongamento da greve.

A greve começou e terminou na hora certa? Há divergências sobre esse tema, no entanto todas as definições tomadas na greve se deram por ampla maioria da categoria em assembleias democráticas e legítimas. Inquestionavelmente começamos a greve no momento em que tínhamos assembleia lotada com força de impulsionar um movimento massivo e terminamos antes que houvesse um esvaziamento por esgotamento da categoria. Saímos e entramos na greve por uma decisão da categoria, impusemos à prefeitura a necessidade de negociação e sem que a mesma conseguisse uma determinação de ilegalidade da greve no TJMG.

Acreditamos que temos um grande desafio: capitalizar o saldo positivo da greve, nos mantermos organizados no interior das escolas, avançar nos laços estabelecidos com as comunidades escolares e não nos deixarmos abater por problemas que o final de toda greve traz como as dificuldades na reposição. Nenhuma greve é definitiva em si mesmo. As lições que tiramos dela e o fortalecimento em nossa organização são fundamentais. Por isso é muito importante que cada escola que não definiu ainda seu representante junto ao sindicato o faça, que construamos juntos mecanismos de diálogo com a comunidade e que nos mantenhamos em alerta contra qualquer possibilidade de retrocesso em nossos direitos.


Coletivo Fortalecer