O acompanhamento pedagógico e a política de desvalorização do prefeito inimigo da educação

Em 2024, nas eleições para prefeito da capital mineira, no segundo turno, vimo-nos obrigados a votar “no candidato menos  pior”. Pouco […]

Em 2024, nas eleições para prefeito da capital mineira, no segundo turno, vimo-nos obrigados a votar “no candidato menos  pior”. Pouco tempo depois, ainda no início de seu mandato, o politicamente “menos pior”, morreu. “Saímos do espeto e caímos na brasa”, pois ao assumir o lugar do morto, aquele que era o vice, diante dos inúmeros desafios do novo cargo, deu as costas para os problemas surgidos diante do nariz e, no meio de uma das maiores greves dos trabalhadores em educação de BH, optou por viajar para Israel – um estado conhecido pelo genocídio contra o povo palestino. Depois de se alojar num bunker, aportou nas terras mineiras meio desnorteado – ainda no aeroporto, foi “carinhosamente” recepcionado pelos trabalhadores em greve. Diante dos inúmeros questionamentos, para a imprensa ele afirmou:

“Meu primeiro passo agora é ir direto para Afonso Pena, 1212, que eu estou até com saudade de trabalhar lá, para poder falar sobre a greve”.

Ao contrário do que disse, num gesto pouco ou nada democrático, numa sexta-feira, mandou os diretores abrirem as escolas no dia seguinte, um sábado de manhã, porque as crianças precisavam se alimentar. Até então, – após muitos dias de greve – não havia demonstrado nenhuma preocupação com as crianças famintas. Não satisfeito, ameaçou punir os gestores escolares que descumprissem as suas ordens e, num rompante de quem parece perdido diante do caos, de modo intempestivo, pouco democrático e sem nenhuma nobreza, mandou as equipes das gerências regionais substituírem os diretores “desobedientes”.

Como disse um dos grevistas, “o sujeito deu tiro no próprio pé”, pois até aquele momento, com tanta intransigência por parte do governo, o cansaço começava a tomar conta dos trabalhadores em educação e a greve começava a apresentar refluxo. No entanto, ao exigir a abertura das escolas com esse argumento “falacioso”, o prefeito contribuiu para inflamar os ânimos da categoria que passou a entoar o slogan da campanha, com mais força do que nunca: “quem não pode com a formiga, não atice o formigueiro”. 

É fato que ao exigir – de um dia para o outro – que as escolas abrissem as portas para “dar de comer” à comunidade escolar, o novo prefeito demonstrou total desprezo pelas direções eleitas pelas comunidades escolares, além de desconhecer a efetiva função social da escola e da educação. Pior, quis transformar a política educacional em política assistencialista. Deste modo, numa ação desesperada, mandou os gerentes regionais enviarem suas equipes para “monitorar” a distribuição de merenda, com ou sem a presença dos responsáveis pelas escolas, num gesto explícito de total desprezo por aqueles e aquelas que se preocupam, efetivamente, com a educação pública municipal.

Abro um parêntese para lembrar: os ocupantes de cargos nas regionais deixam a docência para exercerem a função do acompanhamento pedagógico e, assim como os demais trabalhadores da educação, também torcem por melhores condições de trabalho e por melhores salários. São trabalhadores que enfrentam inúmeros desafios conjugados à desvalorização.  É comum, em função do trabalho que executam terem de abastecer o próprio veículo para “visitarem” as escolas que acompanham; sujeitam-se ao aumento no tempo de contribuição para se aposentarem, além da carga excessiva de trabalho, dentre “outras cositas más”.

Avisados de última hora para acompanharem a distribuição da merenda escolar no sábado, os acompanhantes pedagógicos foram tomados de surpresa e tiveram de “emprestar seus corpos” para executarem uma tarefa totalmente destoante de suas atividades cotidianas. Em um momento tenso e de indisposição por parte do poder executivo para negociar com os grevistas, essa “ordem” foi, no mínimo, desrespeitosa, desmedida e insensata.

Assim, ao utilizar os corpos desses trabalhadores – já que a essa ação não representa parte de suas funções – para uma batalha entre seus pares, na busca por aplacar um movimento legítimo, mais do que nunca, o prefeito conseguiu fazer valer, outro slogan puxado pelo Sind-REDE: “Damião, (2,49%) é sacana demais”. 

E por fim, como membro do COLETIVO ESPERANÇAR, reitero, junto aos demais companheiros de luta: “Damião é inimigo da educação”.


Joaquim  Ramos – Coletivo Esperançar