O Sindicalismo brasileiro atravessa um duro período. Temos uma memória repleta de lutas, que atravessam mais de um século de História, que deixou para nós um variado legado de conquistas econômicas, sociais e políticas para o conjunto da classe trabalhadora, chegando inclusive a eleger diferentes representantes para as esferas de poder de Estado, o mais simbólico deles, o presidente Lula.
Mas nos últimos anos, o avanço do capitalismo em sua fase neoliberal, promoveu ataques generalizados ao movimento sindical, que vêm sofrendo significativos revezes, como as Reformas Trabalhista e Previdenciária aplicadas nos governos Temer e Bolsonaro, respectivamente.
O Sindicalismo do setor público, sobretudo o vinculado à educação, segue sendo o setor mais ativo do movimento dos trabalhadores no País, mas mesmo nele, o refluxo observado nas últimas décadas é significativo.
Na educação de Belo Horizonte, não é diferente, a história de lutas das trabalhadoras é marcada por diversas lutas e greves históricas. Delas surgiram as conquistas de nossa categoria, normalmente relacionadas ao encontro de fortes lutas e mobilizações de base, com governos democráticos e populares capazes de acolher as demandas de luta, a exemplo de nosso Plano de Carreira, conquistado em 1996.
Nos últimos 10 anos as lutas da categoria se mantiveram constantes, com movimentos grevistas em todos os anos. Mas é importante destacar que estas greves e mobilizaçôes foram maiores em contextos de reações perante ataques. Exemplos disso foram os movimentos contra as reformas da previdência entre 2019 e 2022, e a paralisação contra a adoção de contratações precárias via PSS, em 2023.
As greves históricas de 2025 representaram um novo e importante capítulo da nossa história, na qual trabalhadores terceirizados e concursados da Rede Municipal demonstraram sua força e peso como agente político na capital mineira. Tais movimentos demonstram a capacidade do nosso Sindicato, o SindRede/BH, em ser fazer um sindicalismo que, mesmo diante das adversidades e contradições, é capaz de mobilizar e promover vitórias políticas e econômicas importantes para a nossa categoria.
É desse encontro da nossa categoria com sua história em 2025 que trataremos aqui a partir da perspectiva de nosso Coletivo. Neste breve artigo, nós do Coletivo Esperançar, sobretudo os membros da Diretoria Colegiada* e do Comando de Greve de 2025 iremos fazer uma breve contextualização do movimento de campanha salarial deste ano e apontar alguns significados desta greve para nossa categoria.
*Texto elaborado pelos membros da Diretoria Colegiada do Sind-REDE/BH membros do Coletivo Esperançar, Luiz Bittencourt e Talita Barcelos.