A Importância da Greve

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Mesmo com toda a força da nossa greve, foi um processo em que as contra-propostas da prefeitura sequer surgiam em mesas de negociação: elas vinham por e-mails e as poucas reuniões que tivemos foram com a SMED que insistia que o índice não estava em pauta. Conseguimos então mais uma vitória, essa inédita: pela primeira vez a justiça não acatou de imediato a proposta da PBH de criminalizar a nossa greve e obrigou a prefeitura a finalmente sentar para negociar. E nos apoiamos nisso, enquanto Comando, para propor à categoria que enviássemos uma contra-proposta: a desvinculação pela PBH dos 2,4% do reajuste do ano que vem e a antecipação para esse ano. A intransigência da prefeitura e a insistência em não reconhecer a especificidade da educação ficaram muito claras, mesmo diante de um juiz claramente sensível à pauta. Nosso cenário era a promessa de judicialização da greve ainda naquele dia, uma diminuição considerável do quadro de greve nos últimos dois dias e estando a uma semana para o recesso de julho iniciar em várias escolas. Sobre esse cenário houve várias análises diferentes no Comando.

Nós do Unidos não achamos que o quadro de paralisação, mesmo com a sua diminuição, seria um quadro ruim, que impossibilitaria a continuidade da greve, já fizemos greves fortes com 30% a 20% da categoria, com conquistas, e entraríamos mesmo numa fase de queda de braço contra a intransigência da PBH. Mas reconhecemos que a tendência era de diminuição ainda maior nesta última semana e víamos a perspectiva do recesso com preocupação, pois seria um momento, da RME-BH, com as escolas fechadas, em que o quadro provavelmente não aumentaria mais.

Não concordamos com a análise de que a judicialização e a perspectiva do corte fosse acabar com a greve, uma vez que o corte das paralisações foi sentido pela categoria como “um beliscão”. Sabíamos que tínhamos um setor grevista forte e disposto que não cederia mesmo diante desses ataques. Mas qual cenário de luta se colocava diante de nós? Nós do Unidos, no Comando de Greve, avaliamos que não era um cenário de perspectivas favoráveis. O que se colocava no cenário de novo para desmontar a intransigência da PBH?

Naquele momento de uma greve histórica, forte, a perspectiva mais palpável era a quebra dos coletivos grevistas, que já estava em curso, e um cenário de resistência a ataques ferrenhos. Tínhamos a possibilidade de encerrar ali: sem o desmantelamento dos coletivos escolares grevistas, com todas as propostas apresentadas até então (a prefeitura não teve coragem de nos chantagear como em outros anos, com a retirada de propostas), com o apoio massivo da comunidade (até da justiça!) e o mais importante: encerrar uma greve forte até o fim com a consciência de termos feito de tudo em uma luta bonita, criativa e vitoriosa.

(continua)

Nós do Coletivo Unidos pela Rede produzimos coletivamente um texto e optamos por não desconstruí-lo fazendo um resumo apressado para respeitar os limites colocados para a publicação. Dessa forma apresentaremos nosso texto por duplas dividido em quatro partes.

Luanna Grammont de Cristo – Professora da E.M. Anísio Teixeira e da E.M. Paulo Mendes Campos. Compõe a atual diretoria do Sind-REDE/BH. Mãe de alunos da Rede.
Luci de Fátima Pereira – Professora aposentada da rede e coordenadora do Bloco Oficina Tambolelê. Compõe a atual diretoria do Sind-REDE/BH.
(Coletivo Unidos Pela Rede)