A greve é um instrumento de luta da classe trabalhadora. Ela é muitas vezes a última arma que recorremos quando não há mais possibilidade de negociação sem uma pressão efetiva sobre o empregador, que em nosso caso é a prefeitura.
Vivemos há alguns anos lutando para que possamos garantir que direitos como carreira, pagamento do piso, 7 horas de planejamento e outras pautas tão urgentes sejam efetivadas, mas também lutamos para não perder conquistas valiosas que esta categoria conseguiu construir ao longo das décadas de 80, 90 e 2000.
Nós do Unidos Pela Rede somos muitas vezes hostilizados (nessa greve até por colegas no Comando) como aqueles que sempre querem a greve a qualquer custo, como “kamikazes”. Mas será? É verdade que muito provavelmente todo ano iremos chamar nossos colegas para a luta, mas isso é porque a educação pública e a profissão docente estão sob constante ataque e precisam ser defendidas. Também é verdade que iremos apontar a greve como nossa maior arma no enfrentamento coletivo à essa precarização, mas isso é porque de fato ela é. E todas as nossas conquistas vieram de greves importantes em nossa história.
O movimento paredista, além de fazer uma pressão direta sobre o governo, coloca nossas pautas em debate na cidade. Esta greve de 2025 nos mostrou isso, como as comunidades escolares e até a mídia, surpreendentemente, passaram a falar sobre nossas reivindicações, sobre nossas mazelas e até ajudando a pressionar o prefeito Álvaro Damião.
A greve não é só a nossa forma de sensibilizar mais a sociedade em defesa da educação pública, a greve é uma demonstração de consciência política de classe. É dizer que nós compreendemos que o nosso trabalho é essencial, que sem ele a sociedade não caminha como deveria e que o maior golpe que nós, trabalhadores, podemos dar em nossos patrões é cruzarmos os braços de forma coletiva e organizada, valorizando a nossa força de trabalho, pois é ela que tudo produz.
Ano passado (2024) fizemos insistentemente a defesa da necessidade da greve e mesmo depois de iniciada fomos obrigados a defendê-la das propostas de fim em cada Assembleia e Comando. Consideramos que o fim da greve daquele ano foi prematuro, como demonstrou o resultado da última assembleia em que, na nossa visão, mesmo com quase todo o comando chamando o fim da greve, a continuidade da greve passou por pouco. No entanto pediram uma recontagem de votos mão a mão e aí, em meio a 500 pessoas, e com vários colegas indignados se levantando e saindo da Assembleia, a proposta de fim da greve passou com apenas 11 votos de diferença. Realmente ficou uma sensação ruim de que, para algumas lideranças, a greve é muito trabalhosa e de que poderíamos sim ter feito mais, radicalizado o movimento. Que ainda havia margem de conquista se houvesse mais pressão. Mas, o final da greve de 2025 foi diferente.
(continua)
Nós do Coletivo Unidos pela Rede produzimos coletivamente um texto e optamos por não desconstruí-lo fazendo um resumo apressado para respeitar os limites colocados para a publicação. Dessa forma apresentaremos nosso texto por duplas dividido em quatro partes.
Ângela Cristina Sampaio – Professora aposentada. E.M. Geraldo Teixeira da Costa e E.M. Marconi
Cristiane Nunes Professora da EMEI Guarani e da E.M. Oswaldo França Junior, diretora do Sind-Rede liberada para mandato sindical à tarde. Mãe de aluno da rede.
(Coletivo Unidos Pela Rede)