Crédito: Guilherme Dardanhan
Conforme já denunciamos anteriormente, o povo mineiro segue sendo atacado em seu direito pelo governo do estado. O Sind-Rede/BH vem a público manifestar repúdio à conclusão do processo de privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), finalizado na última terça-feira (16) na Bolsa de Valores (B3).
Sob o falso pretexto de modernização e ajuste fiscal, o governo Simões-Zema entregou o controle da água dos mineiros à iniciativa privada, e ignorou os protestos da sociedade civil, de movimentos sociais e dos trabalhadores.
O projeto de desestatização (PL 4.380/25) vinha sendo empurrado goela abaixo da população desde o final de 2025, quando foi aprovado na Assembleia Legislativa (ALMG) de forma atropelada, com fortes obstruções da oposição e denúncias de falta de transparência.
O Sind-REDE/BH esteve presente em vários momentos do processo que levou à privatização da Copasa, tanto na ALMG quanto nas manifestações populares feitas na rua, e desde o começo alerta e denuncia os impactos na vida dos trabalhadores e trabalhadoras (leia mais abaixo).
A venda ocorreu a preço de banana. As ações, que antes eram do Estado, foram liquidadas por R$ 49,03 cada, um valor 14,6% menor do que o preço de mercado. Esse desconto absurdo, aceito para acelerar a entrega, gerou um prejuízo bilionário, fazendo com que o governo de Minas Gerais deixasse de arrecadar cerca de R$ 1,25 bilhão.
Por fim, o processo consolidou o “novo dono” com a Equatorial Energia, que foi a grande vencedora como investidora de referência, assumindo 30% do capital total e o controle de fato da operação.
O que muda na vida das pessoas?
Experiências recentes em outros estados mostram os riscos dessa política. No Rio de Janeiro, após a privatização da Cedae, o número de reclamações por falta d’água disparou; em Ouro Preto (MG), onde o serviço foi entregue à empresa Saneouro, a população enfrenta tarifas abusivas e cortes constantes.
A experiência nacional e internacional prova que a privatização da água e do esgoto cobra um preço alto dos trabalhadores, e o Sind-Rede alerta para os impactos imediatos na vida do povo mineiro:
- Tendência de aumento das tarifas: para garantir o lucro dos investidores e cobrir os valores investidos na compra, as contas de água e esgoto tendem a sofrer reajustes que podem comprometer o orçamento das famílias mais pobres.
- Queda na qualidade do serviço: empresas privadas costumam demitir o corpo técnico qualificado e terceirizar serviços essenciais para cortar custos, o que pode levar a demora na manutenção e piora na qualidade da água.
- Abandono das periferias e zonas rurais: como o foco passa a ser o lucro, as regiões periféricas e os pequenos municípios do interior de Minas, que exigem investimentos e dão menos retorno financeiro, correm o risco de serem negligenciados.
Quem é a Equatorial Energia?
A escolha da Equatorial Energia como nova controladora da Copasa acende um sinal de alerta vermelho. A holding tem se expandido sobre os serviços públicos do país (sendo também peça-chave na privatização da Sabesp em São Paulo), mas carrega um histórico de mau atendimento e caos operacional em outros estados.
Exemplo disso é o caos na CEEE, no Rio Grande do Sul, onde após comprar a distribuidora de energia gaúcha, a Equatorial virou alvo de revolta popular e investigações políticas. Na ocasião, moradores enfrentaram apagões prolongados que duraram mais de uma semana após temporais, com prefeitos denunciando a falta crônica de manutenção na rede deteriorada e a redução de equipes de campo.
Outro exemplo é o cenário de crise no Amapá e em outros estados, como Pará e Piauí, locais onde a empresa acumula recordes de reclamações nos órgãos de defesa do consumidor devido à oscilação de energia, demora no reatendimento e tarifas abusivas.
Além disso, o alerta máximo acendeu após uma explosão em uma tubulação de esgoto na Zona Leste de São Paulo (SP). O incidente é diretamente associado por técnicos e movimentos sociais à falta de fiscalização, à má gestão e à terceirização desenfreada da operação.
O Sind-Rede/BH reafirma que a luta contra a privatização e a terceirização dos serviços públicos não terminou. Continuaremos denunciando o desmonte promovido pelo governo Simões-Zema, apoiando as frentes jurídicas e populares que contestam essa venda ilegal e nos somando à resistência em defesa do patrimônio do povo de Minas Gerais.