Em assembleia geral realizada nesta terça-feira (19), na Praça Afonso Arinos, no centro de Belo Horizonte, as trabalhadoras e trabalhadores concursados da Educação Municipal decidiram, por ampla maioria, pela continuidade da greve por tempo indeterminado.
A decisão reflete a indignação da categoria diante da postura da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), que, apesar de manter mesas de negociação abertas, tem apresentado propostas insuficientes e demonstrado falta de compromisso com pautas históricas e urgentes da educação pública.
Durante a assembleia, foram apresentados os informes detalhados das últimas rodadas de negociação com o Executivo municipal. A avaliação unânime da base e da direção é de que a PBH não avançou sequer em pontos básicos de gestão e valorização profissional.
Falta transparência nos contratos com as OSCs, por exemplo. Há uma cobrança incisiva sobre os contratos firmados pela PBH com as Organizações da Sociedade Civil (OSCs) para o integral. O sindicato exige total transparência sobre o destino das verbas públicas e as condições de trabalho dessas instituições.
Falta também transparência sobre os dados reais do déficit de servidores na rede municipal. A categoria exige clareza sobre as informações de cargos vagos para que os professores e demais profissionais aprovados em concurso público sejam imediatamente nomeados, o que irá aliviar a sobrecarga crônica nas escolas.
Mobilização forte e ato na porta da PBH
A manutenção da greve é o resultado de um processo que ganha corpo a cada assembleia, por meio de atividades regionalizadas e do diálogo com outros movimentos sociais da capital.
Após o encerramento da assembleia, as centenas de trabalhadores presentes saíram em caminhada e realizaram um ato público de protesto na porta da PBH, cobrando respostas diretas do prefeito.
Para além da votação pela continuidade da greve, os servidores aprovaram um calendário de mobilização para os próximos dias, com o objetivo de dialogar com a população e pressionar o poder público. As deliberações incluem:
- Panfletagens e conversas com as famílias nas comunidades escolares;
- Visitas de convencimento às escolas e diálogo com os colegas;
- Pressão e busca de apoio junto aos vereadores na Câmara Municipal;
- Participação em audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG);
- Ações solidárias, como campanhas de doação de sangue;
- Atos culturais e intervenções urbanas.
A categoria já tem data e local para se reunir novamente, avaliar os rumos do movimento e os desdobramentos das negociações:
- Data: Sexta-feira, 22 de maio
- Horário: 14h
- Local: Praça da Estação
É greve! Até que a PBH pague aquilo que nos deve!