Os trabalhadores em educação concursados da rede municipal de Belo Horizonte decidiram, em assembleia hoje, 27/04, dar continuidade à greve da categoria. A decisão, aprovada por ampla maioria, é uma resposta ao que os profissionais denunciam como um “apagão na educação” e ao agravamento das más condições de trabalho nas escolas e a ausência de diálogo com a prefeitura, em especial com a secretaria de educação.
A partir desta semana, os educadores deixam as salas de aula para fortalecer a mobilização nas ruas e nas comunidades. Logo após a assembleia que confirmou a greve, a categoria realizou um ato até a sede da Prefeitura de Belo Horizonte, dialogando com a população e denunciando os impactos das políticas educacionais em curso.
A paralisação ocorre diante de problemas estruturais persistentes, como a sobrecarga extrema de trabalho, a existência de turmas sem professores, improvisos constantes na gestão escolar e iniciativas que, segundo a categoria, precarizam a educação infantil — como a substituição de professores por contratações precárias de monitores e estagiários. A prefeitura está privatizando o atendimento educacional especializado, transferindo para professores contratados via OSCs a elaboração pedagógica deste trabalho, que deve ser de responsabilidade de professores concursados que atuam dentro das escolas.
Essa realidade se dá não por falta de verba, mas por uma prefeitura que desvia os recursos da educação para a iniciativa privada.
A mobilização também está inserida na Campanha Salarial de 2026, que reivindica valorização profissional e aplicação da Lei do Piso, além de melhores condições para garantir a qualidade do ensino público.
Motivos da greve
- Não é apenas sobre salário
Os problemas enfrentados nas escolas vão muito além da questão salarial. As escolas apresentam quadro incompleto de professores, assistentes administrativos educacionais e bibliotecários, apesar da existência de concursos vigentes. A nomeação recente de cerca de 400 professores é insuficiente para suprir a demanda.
Outro ponto crítico é a redução significativa das verbas destinadas à manutenção das escolas. As direções relatam cortes entre 25% e 50% nos recursos, comprometendo desde o funcionamento básico, além da redução nos kits escolares.
- Educação Infantil pede socorro
Há ainda mudanças na organização da educação infantil que vêm sendo questionadas. A possibilidade de um turno ter atividades ministradas por monitores terceirizados ou estagiários é apontada como uma medida sem respaldo pedagógico e que pode indicar um processo de desvalorização e substituição da função docente.
- Privatização do Atendimento Educacional Especializado
O atendimento a estudantes com deficiência também é alvo de críticas. A Secretaria de educação (SMED) iniciou a transição do serviço, antes realizado por trabalhadores contratados via MGS, para 21 organizações da sociedade civil (OSCs). A categoria alerta para a privatização do atendimento que se dará pela transferência de atribuições pedagógicas para as OSCs que, por lei, são de responsabilidade de professores concursados.
- Caos no serviços gerais das escolas*
A desorganização com a troca de empresas terceirizadas responsáveis por serviços de cantina e portaria gerou uma série de inseguranças como trabalhadores sem pagamento, sem vale-transporte e até ausência de profissionais em algumas escolas, obrigando as direções a assumir funções emergenciais.
Além disso, trabalhadores denunciam descaso na formalização de acordos coletivos com funcionários terceirizados e criticam propostas da SMED que preveem bonificações atreladas ao desempenho das escolas. Para a categoria, a medida tende a aprofundar desigualdades, penalizando unidades situadas em regiões mais vulneráveis.
Diante desse cenário, a paralisação é resultado de um conjunto de problemas estruturais e da falta de diálogo com a administração municipal. A assembleia da próxima segunda-feira deverá deliberar sobre os rumos do movimento e possíveis encaminhamentos da greve.
Calendário de Greve
A categoria organizou uma agenda contínua de mobilizações:
- 28/04 (terça-feira)
8h e 14h: Regionais de greve
17h30: Comando de greve no Sind-REDE, com preparação e mobilização junto às escolas
- 29/04 (quarta-feira)
14h: Manifestação na porta da SMED, com reivindicação de negociação imediata e denúncia de contratações irregulares, falta de transparência e ausência de recursos nas escolas
- 30/04 (quinta-feira)
8h e 14h: Regionais de greve
- 01/05 (sexta-feira)
9h: Participação no ato unificado do Dia do Trabalhador, na Praça Raul Soares
- 02 e 03/05 (sábado e domingo)
Mobilizações com carros de som e panfletagens nas comunidades e regionais
- 04/05 (segunda-feira)
13h: Ato e mutirão na Câmara Municipal de Belo Horizonte para coleta de assinaturas em defesa da CPI da Educação
- 🚨 05/05 (terça-feira) – PRÓXIMA ASSEMBLEIA DECISIVA
14h: Assembleia de Greve dos Trabalhadores em Educação Concursados
Local: Praça da Estação – Centro
A assembleia do dia 05 de maio será um momento central para avaliação do movimento e definição dos próximos passos da greve.
Os trabalhadores afirmam que a mobilização seguirá até que haja diálogo efetivo e respostas concretas às demandas apresentadas. Para a categoria, a defesa da educação pública passa pela valorização dos profissionais e pela garantia de condições dignas de ensino e aprendizagem.