Cerca de 2 mil trabalhadores em educação terceirizados da MGS participaram, na manhã desta terça-feira (03/03), de assembleia geral na Praça da Estação, em Belo Horizonte. Com ampla maioria, a categoria votou pela continuidade da greve.
A assembleia ocorreu um dia após a empresa efetivar o corte salarial referente aos cinco primeiros dias de paralisação. A MGS informou que não irá negociar os dias já descontados e afirmou que somente discutiria os dois dias ainda não cortados caso a greve fosse encerrada imediatamente. O posicionamento foi entendido pelos trabalhadores como uma tentativa de pressão para desmobilizar o movimento.
Os cortes têm impacto direto e profundo na renda da categoria. Há trabalhadores que, após os descontos, receberão menos de R$ 1 mil neste mês, situação que compromete a segurança alimentar de famílias que já sobrevivem com salários baixos.
Durante a assembleia, foi denunciada a postura do prefeito Álvaro Damião (União) e da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte, que, ao manterem os cortes, agravam ainda mais a situação nas escolas. Para a categoria, a medida não resolve os problemas estruturais da educação pública e apenas aprofunda a precarização.
Transição contratual e incertezas
Também foram discutidas as mudanças contratuais em curso. A empresa G&E Serviços venceu o edital para o cargo de Portaria e foi convocada para assinatura de contrato.
No caso dos Auxiliares de Apoio ao Educando, o contrato entre a MGS e a SMED segue até junho, mas a Secretaria pretende acelerar o processo de transição. Parte dos trabalhadores será convocada para atividade neste sábado, com pagamento realizado diretamente pela SMED. A categoria cobra garantias formais de manutenção de direitos e condições de trabalho durante a mudança.
Cantina e Faxina: ainda aguardam o resultado do pregão, que está em prazo de recurso.
Artífices e Mecanografos: permanecem na MGS.
Embora a contratação dos trabalhadores pelas novas empresas esteja garantido no edital, a MGS tem afirmado que não fará o desligamento de seus funcionários, o que tem gerado preocupação sobre a garantia e efetivação dos direitos trabalhistas previstos na CLT.
Solidariedade de classe
Diante dos cortes salariais e da tentativa de enfraquecimento do movimento, o Sind-REDE/BH lançou uma campanha de solidariedade para apoiar os trabalhadores atingidos.
A orientação é que a comunidade escolar, demais trabalhadores e a sociedade contribuam com qualquer valor para ajudar aqueles que tiveram dias de greve descontados e que, neste mês, enfrentarão severas dificuldades financeiras.
Como contribuir:
Pix do Sind-REDE/BH
CNPJ: 08.002.657/0001-08 (Banco do Brasil)
A diretoria colegiada reforça que a solidariedade é fundamental para garantir que a categoria possa manter a mobilização por valorização, direitos e melhores condições nas escolas públicas de Belo Horizonte.
Calendário de greve
- Quarta-feira (04/03), às 9h, haverá reunião da Comissão de Educação na Câmara Municipal. A SMED foi convidada a prestar esclarecimentos.
- Quinta-feira (05/03), às 14h, ocorre nova assembleia da categoria.