
No primeiro dia do Ramadã, no horário da quebra do jejum (Iftar), as forças de ocupação israelenses bloquearam deliberadamente a principal estrada em Kufor Aqab para obstruir e reduzir o número de fiéis palestinos que tentavam chegar à Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, para as orações.
Além disso, dispararam gás lacrimogêneo e munição real contra os palestinos. Uma casa palestina foi incendiada em Kufor Aqab, devido ao intenso uso de gás lacrimogêneo, e vários palestinos ficaram feridos.
Durante o Ramadã, o mês sagrado para o islamismo, os muçulmanos abstêm-se de comer desde o amanhecer até o pôr do sol. A rotina muda com o jejum (sawm), orações noturnas especiais (Taraweeh) e refeições feitas antes da alvorada (Suhoor) e após o pôr do sol (Iftar)
Nesta semana, o Serviço Prisional Israelense (IPS) também iniciou preparativos logísticos para implementar um projeto de lei que prevê execuções de prisioneiros palestinos. As instalações estão sendo preparadas e os funcionários treinados para aplicar as punições.
Apuração da Al Jazeera indica uso de armamento proibido que desintegra corpos em Gaza

Uma mãe palestina corre para encontrar seu filho e o marido, após mais um bombardeio atingir uma escola na cidade de Gaza, capital do enclave. Ela encontra o companheiro ferido, mas a criança desapareceu após uma forte explosão.
A cena angustiante não é ficção. Ela ocorreu com Yasmin Mahani, em agosto de 2024, mas seu depoimento tomou notoriedade no início de fevereiro, após a emissora Al Jazeera divulgar o uso por Israel de um arsenal proibido: as bombas termobáricas.
A investigação da imprensa, em conjunto com a Defesa Civil Palestina, aponta que ao menos 2.842 palestinos “evaporaram” desde outubro de 2023, como consequência dos explosivos que de tão potentes deixam apenas resquícios de sangue e carne.
Especialistas e testemunhas atribuíram essa situação ao uso sistemático das armas térmicas e termobáricas proibidas internacionalmente, capazes de gerar temperaturas superiores a 3.500 graus Celsius.
As termobáricas têm composições químicas específicas que atuam como se desintegrassem a matéria, transformando o corpo em cinzas em questão de segundos. Essas armas dispersam uma nuvem de combustível que se inflama e cria um efeito de vácuo.
“Quando a matéria é exposta a energia superior a 3.000 graus, combinada com pressão e oxidação extremas, os fluidos corporais entram em ebulição instantaneamente. Os tecidos vaporizam e se transformam em cinzas”, explica o Dr Munir al-Bursh, diretor-geral do Ministério da Saúde de Gaza.
Armamento dos EUA
O estudo também determinou que os armamentos utilizados para “desaparecerem” com os palestinos são de três tipos e todos fabricados nos Estados Unidos. São as bombas MK-84 ‘Hammer’, a BLU-109 (desenhada para destruir bunkers) e a GBU-39.
BLU-109 foi utilizada em um ataque na área desértica do al-Mawasi, que Israel havia declarado “zona segura” para palestinos deslocados em setembro de 2024. Esta bomba evaporou 22 pessoas.
Com um revestimento de aço e um fusível de retardo, este projétil primeiro enterra-se no solo antes de detonar uma mistura explosiva que cria uma grande bola de fogo dentro de espaços fechados, incinerando tudo ao seu alcance, no caso as tendas palestinas.
Mesmo frente à tamanha brutalidade, Israel segue impune de seus crimes de guerra, especialmente pelo poder de veto que os EUA possuem na ONU, impedindo que qualquer sanção contra o estado sionista seja aplicada.
Meta boicota conteúdo da CSP-Conlutas
A CSP-Conlutas tem denunciado em larga escala o genocídio que Israel comete contra o povo palestino em suas redes sociais e, no início do mês, teve uma de suas publicações derrubadas pela Meta (empresa que administra o Facebook e o Instagram).
O vídeo em questão mostrava o resultado de um bombardeio israelense cometido no início de fevereiro, que assassinou 21 palestinos. Nossa Central teve o vídeo censurado e recebeu um aviso de novas possíveis punições caso o conteúdo fosse repostado.
É fundamental denunciarmos a conivência e o suporte que as empresas de comunicação tem dado ao genocídio, em especial, no esforço de calar as contas que denunciam os crimes sionistas.
Nova flotilha irá partir em março
A nova missão da Global Sumud Flotilha, que visa levar ajuda humanitária à Gaza, já tem uma data para zarpar. No dia 29 de março, milhares de pessoas de centenas de países darão novamente uma resposta coordenada e não violenta ao genocídio palestino.
Partindo de portos ao redor do mundo e também com comboios terrestres, a missão reunirá mais de 1 mil médicos, enfermeiros e profissionais de saúde, além das tradicionais doações de alimentos, remédios, vestimentas, itens de higiene, etc.
A CSP-Conlutas se orgulha de ter sido a única central sindical brasileira com representação na Flotilha realizada em 2025 e apoiará novamente esta iniciativa.
A Palestina deverá ser livre da ocupação, do Rio ao Mar!