O período de matrículas para as vagas remanescentes da rede municipal de educação, iniciado em fevereiro de 2026, tem se revelado um verdadeiro retrato do descaso e do sucateamento imposto à educação pública da nossa cidade. O que deveria ser um processo de garantia de acesso à escola transformou-se em um labirinto de obstáculos para famílias, estudantes e profissionais da educação.
Relatos de pais, responsáveis e direções escolares apontam para a completa indisponibilidade do sistema de matrículas online , que apresenta falhas constantes, lentidão extrema e repetidas interrupções. Paralelamente, a orientação da Secretaria Municipal de Educação impede a realização presencial das matrículas diretamente nas unidades de ensino, retirando das escolas a autonomia para acolher e garantir a vaga de crianças e adolescentes que aguardam por uma oportunidade. Some-se a isso a inoperância dos canais de atendimento telefônico disponibilizados pela PBH, que permanecem mudos ou caem constantemente, deixando as famílias sem qualquer alternativa viável.
O resultado é um cenário de completa desorientação: famílias inteiras percorrem escolas à procura de informações, gestores escolares se veem de mãos atadas diante de um sistema que não funciona e de orientações que engessam o atendimento, e estudantes continuam fora da sala de aula mesmo havendo vagas existentes e não preenchidas. O direito constitucional à educação, que deveria ser prioridade absoluta, é violado por aqueles que têm o dever de garanti-lo.
Esta situação não é fruto do acaso. Ela é a face visível de uma política deliberada de baixo investimento na educação municipal, que há anos sucateia a infraestrutura tecnológica das escolas, desvaloriza os profissionais e terceiriza responsabilidades. Enquanto isso, vemos recursos públicos sendo direcionados para finalidades que não atendem as necessidades efetivas das escolas.
Enquanto isso, centenas de crianças e adolescentes seguem aguardando uma vaga que existe, mas lhes é sistematicamente negada por omissão, ineficiência e falta de prioridade política.
Não há como dissociar os problemas no sistema de matrículas ao progressivo desmonte da educação pública municipal. Recentemente também denunciamos o corte nos transportes escolares dos estudantes da Rede, por parte da secretaria. A precarização do atendimento, a falta de transparência e diálogo no estabelecimento das políticas, são faces da mesma moeda. Essa situação atenta contra o direito à aprendizagem e nesse sentido, cobramos que a Secretaria ofereça possibilidades de alternativa ao sistema online de matrículas, com oportunidade de atendimento presencial nas escolas, funcionamento pleno dos canais eletrônicos e telefônicos, e abertura de diálogo urgente com a categoria e a comunidade.