As greves de 2025, de concursados e terceirizados, revelaram um reencontro profundo da categoria com suas tradições de luta. Essas greves foram iniciadas em um contexto onde os momentos coletivos de encontro e representação docente, apresentavam um aparente cansaço e pouca disposição à greve.
Entre os concursados, em 30 de maio o governo apresentou uma proposta de 2,49% de recomposição salarial, o que mobilizou a categoria e transformou a luta em um movimento massivo que reativou a memória combativa da categoria.
A extensão temporal da greve e a adesão maciça da categoria desafiou os sentimentos que compartilhamos nos espaços de troca da Rede. Nesse sentido, revelou acúmulo de tensões insustentáveis, como perdas salariais, ataques a direitos e precarização extrema. O fato de ser a maior greve dos últimos anos não é acidental: reflete o estado de emergência imposto por sucessivas políticas de austeridade, tanto no âmbito municipal, quanto federal.
Os movimentos surgiram em uma base inicialmente fragmentada e descrente, mas reencontrou sua força na ação coletiva. As greves funcionaram como um catalisador organizativo, reativando redes de solidariedade, resgatando práticas de construção coletiva e revalorizando a história de lutas passadas – um “reencontro da rede consigo mesma”.
Essas greves exemplificaram como momentos de ruptura podem reconfigurar a consciência coletiva.
O “reencontro” mencionado é a reativação de uma memória histórica de resistência. E pode ser analisado, sob a perspectiva do sociólogo francês Maurice Halbwachs. Ele escreveu que para que possamos reconhecer e reconstruir uma memória a partir das noções coletivas compartilhadas, precisamos nos identificar no outro e o outro se identificar naquilo que experienciamos. A greve permitiu que a categoria construísse esse processo e reafirmasse sua identidade coletiva frente ao projeto neoliberal que busca fragmentá-la e desmoralizá-la.
Guardadas as devidas proporções, podemos fazer um pequeno exercício de associação e pensar também na perspectiva gramsciana de ponto de Inflexão. A duração e o tamanho da greve sugerem uma crise de hegemonia localizada. Claramente o governo municipal não teve capacidade de desmobilizar a categoria e o coletivo de trabalhadores em educação encontrou sua própria capacidade de contestação e organização.
O ano de 2025 teve, portanto, greves históricas, muito maiores que uma paralisação por demandas específicas. Foram atos de reexistência: reencontro com a própria história, reafirmação do poder coletivo e demonstração de que a aparente desmobilização pode rapidamente converter-se em força disruptiva.
Que sigamos juntos, fortes, unidos e cheios de esperança, aquela do verbo esperançar!
*Texto elaborado pelos membros da Diretoria Colegiada do SindRede/BH membros do Coletivo Esperançar, Luiz Bittencourt e Talita Barcelos.