Foram quase 30 dias de uma greve absolutamente histórica. Sete assembleias, diversos atos, um acampamento na porta da PBH e muitos momentos de encontros significativos entre as diversas gerações de militantes da educação em BH.
As expectativas iniciais da luta das trabalhadoras e trabalhadores concursados em 2025 não eram as mais animadoras. A categoria, diante de um cenário de cansaço perante a rotina extenuante do chão das escolas, refletia um cenário geral de desmobilização.
Foram três assembleias anteriores ao movimento grevista, iniciado no dia 06/06, nas quais foram aprovados os eixos da campanha salarial, que definiu o dia 30/05 como o dia definitivo para a resposta da PBH sobre o índice de reajuste da categoria.
Nossa proposta levava em conta as perdas acumuladas em relação ao reajuste anual da Lei do Piso Nacional do Magistério, no período 2017 a 2025. Diversos outros elementos foram incorporados à pauta, mas nenhum deles inicialmente foi capaz de gerar uma linha que impulsionasse a nossa categoria para a luta.
A proposta apresentada pela Prefeitura Municipal em negociação adiantada para o dia 30/05, diante da nossa pressão, foi de absurdos 2,49% de reajuste. Foi a partir deste momento que a categoria se levantou em sua luta por dignidade. Como seria possível aceitar uma proposta que não recomponha sequer as perdas inflacionárias do ano anterior? Este era o sentimento da categoria diante da desrespeitosa proposta feita pela PBH.
Somado a esta absurda proposta, pesava um desconforto geral com o uso dos recursos da educação, sobretudo após o afastamento do Secretário de Educação, Bruno Barral, pela Polícia Federal por denúncias de corrupção.
O cenário para a greve estava dado e ela teve início em assembleia lotada, com mais de 2 mil trabalhadores, no dia 06/06.
Os primeiros dias foram marcados pela movimentação da categoria nas regionais de greve e pelo anúncio da viagem do Prefeito Álvaro Damião – que passou a ter que conviver com o bordão: Sacana Demais! – para o Estado Genocida de Israel, em pleno massacre a céu aberto cometido em Gaza.
Tal elemento foi mais um combustível para a categoria, que entre as ações da Greve, recepcionou o Prefeito em seu retorno no aeroporto, em gesto claro de desejo de pressão por negociação imediata.
Este evento ampliou a adesão ao movimento e levou a greve para o debate público no município, com importante e fundamental de mães e pais de alunos e comunidades escolares.
Todas as assembleias que seguiram mantiveram altos índices de paralisação e contaram sempre com pelo menos 2 mil trabalhadores.
Além de diversos atos que contaram com um conjunto de militantes e ativistas da categoria e diversos apoios externos, de parlamentares, sindicatos, meios de comunicação alternativos e como já mencionado, mães de alunos da Rede.
*Texto elaborado pelos membros da Diretoria Colegiada do Sind-REDE/BH membros do Coletivo Esperançar, Luiz Bittencourt e Talita Barcelos