É importante reconhecer que houve muitas diferenças ao longo dessa greve de 2025 e a de 2024, inclusive no fim. Para aqueles de nós que estávamos no Comando da Greve, em 2025, a sensação que tivemos do movimento paredista é que de fato era necessário que aquela greve se encerrasse naquele momento. Isso não significa que desqualificamos a posição dos colegas que defendiam a continuidade da greve. Se a continuidade da greve tivesse sido aprovada continuaríamos a buscar estratégias para alcançarmos resultados melhores, mas achamos importante analisar todo o processo e não ignorar nossas conquistas, para inclusive nos prepararmos para os próximos enfrentamentos que com certeza virão.
Nós, do coletivo Unidos Pela Rede, defendemos o início da greve 2025 desde a primeira assembleia, por já perceber no cenário de um governo mais à direita que a proposta que viesse não seria satisfatória, inclusive que era necessário cobrá-la com urgência, pois a tendência do governo seria “nos cozinhar” o máximo possível.
E não deu outra: a proposta que viria em maio só foi anunciada no dia 30, o último dia do mês, e para todo o funcionalismo municipal, ignorando que a educação tem recurso próprio e que a nossa data base deveria ser janeiro, pois nossa referência é o Piso Salarial Nacional da Educação na carreira docente.
Outra questão que nos levou à defesa ferrenha da greve, ainda em maio, era a questão dos calendários escolares e do recesso de julho que poderia acabar se configurando como um limite de tempo para nós, o que já ocorreu em outros anos.
No entanto, a categoria resolveu esperar e, infelizmente, a proposta apresentada foi pior do que as piores previsões, apenas 2,49% para esse ano e um punhado de promessas.
Numa assembleia lotada como há muito não se via, a categoria aprovou por unanimidade o início da maior greve da rede municipal das últimas duas décadas. Um quadro de paralisação forte que se espalhou pela cidade e reforçou os coletivos grevistas de cada escola. Uma greve ativa e criativa que proporcionou à categoria e à cidade momentos políticos históricos e emocionantes.
A cidade respondeu: o apoio das comunidades aos professores foi massivo, com alunos e pais nos atos e assembleias e na caça ao prefeito. A prefeitura fez o que vinha fazendo nos últimos anos: tentou nos dividir. Apresentou uma proposta que eles avaliavam ser mais vantajosa economicamente que os 2,49% de reajuste salarial, porém excluindo os aposentados: progressão de mais 2 níveis na carreira por escolaridade, e aumento no valor e na abrangência do vale-refeição, agora para todos os professores em exercício, proporcional à carga horária de cada um. No entanto, a categoria não cedeu: “queremos um índice que atinja todos da ativa e as aposentadas!” e assim por unanimidade a greve continuou com assembleias cada vez mais lotadas à medida que o prefeito dava suas lamentáveis declarações.
Nós do Coletivo Unidos pela Rede produzimos coletivamente um texto e optamos por não desconstruí-lo fazendo um resumo apressado para respeitar os limites colocados para a publicação. Dessa forma apresentaremos nosso texto por duplas dividido em quatro partes.
Maria da Consolação Rocha – Professora aposentada da E.M. Cônego Raimundo Trindade
Inácia Schuchter – Professora da EMEI Professora Marta Nair Monteiro e Presidente do CAE (Conselho de Alimentação Escolar).
Coletivo Unidos Pela Rede