Chegamos ao segundo semestre de 2025 e já temos a nossa cota anual de luta por salários e condições de trabalho. Luta que se revela necessária e inevitável diante das pressões de sucessivos governos neoliberais na economia e autoritários, excludentes e retrógrados nas suas propostas educacionais.
Todas as greves deixam diversas impressões naqueles que delas participam que vão desde a frustração pelos resultados obtidos à sensação de dever cumprido. As impressões e sensações variam tanto quanto é diversa a categoria dos professores. Uma categoria em que muitos têm dificuldades de se reconhecerem inseridos em uma profissão que é das mais numerosas, desvalorizadas, e em um momento de graves precarizações no Brasil; e também em que muitos não se reconhecem como parte de uma classe, a dos trabalhadores assalariados de baixa à média renda, na qual estamos mais próximos social e economicamente dos companheiros operários, enfermeiros, garis, cozinheiros do que dos companheiros engenheiros, médicos, advogados, embora sejamos em grande parte portadores de diploma de nível superior, como os últimos citados.
A greve de 2025 dos professores de Belo Horizonte, assim como a dos 2 ou 3 últimos anos, conseguiu alguns feitos notáveis para uma categoria cada vez mais vítima dos ardis neoliberais: preservar direitos que já foram eliminados em outras redes (como manter professorado ainda em 100% de concursados; manter a previdência municipal com regras próprias); Fazer a prefeitura se comprometer a contratar 367 professores aprovados em concurso e regulamentar a redução de alunos por turma; Atingir índices de adesão à greve acima de 80%; Conseguir visibilidade e aprovação junto à população, contando com os familiares dos alunos nas assembleias que chegaram a ter mais de 2500 pessoas.
O sabor de frustração fica em relação ao aumento salarial obtido, pouco menos de 5% em 2 parcelas, ainda assim maior do que o que pretendia conceder o prefeito de extrema direita Álvaro Damião. O prefeito, recém empossado, se licenciou do cargo de forma irresponsável, em um momento em que várias categorias do funcionalismo pediam diálogo para discutir melhores salários e condições de trabalho. A licença do prefeito se torna ainda mais absurda pelo motivo apresentado: um curso de 2 semanas de “segurança pública” em Israel, país que comete um genocídio na Palestina atualmente com fartas imagens para o mundo todo.
Por fim, um aspecto positivo da greve de 2025 foi ter ampliado uma conscientização política nos professores de BH. A liderança exercida pelo sindicato da categoria em BH, o Sind-REDE/BH, foi fundamental, e em parte isso se deve pela composição da sua diretoria, que se mostrou mais diversificada, unida, atuante e combativa, enfim, mais democrática.
Roberson Adriano Soalheiro
Professor de inglês (atualmente em readaptação funcional na biblioteca)
Lotado na E. M Paulo Mendes Campos (CEI Imaculada Conceição)