Greve dá visibilidade à pauta de aposentadas*

As conquistas ficaram aquém das perdas financeiras acumuladas, é imprescindível dizer. Entretanto, avaliamos que os ganhos no campo político foram significativos.

O Coletivo de Professoras Aposentadas do Sind-REDE/BH surgiu em 2022, quando o governo usou o Plano de Carreira para dar um reajuste maior a quem estava em exercício e deixar de fora o aposentado com direito à paridade. A promoção automática de dois níveis, prevista na Lei 11.381/22, impôs uma perda de 10,25% ao segmento aposentado. Além disso, a política de bonificação adotada criou um distanciamento abissal entre os ganhos financeiros dos dois grupos.

Para denunciar e buscar reparar o descumprimento do direito constitucional à paridade, o Coletivo organizou manifestações, campanhas na Câmara, realizou seminário e passou a atuar em todos os espaços sindicais. Apelou inclusive, ao judiciário.

Na campanha salarial de 2025, a pauta específica desse segmento, construída e deliberada nos fóruns de decisão, sequer foi considerada pela PBH nas primeiras tratativas. Aliás, essa pauta trazia itens há muito reivindicados por aposentadas como o vale cultura.

Deflagrada a greve, a resposta da PBH foi de que não haveria mudança na proposta de 2,49%, índice muito baixo para todos, mas especialmente para aposentados que não têm direito a outros benefícios.

O Coletivo foi à luta e integrou-se ao comando de greve e à comissão de negociação. O segmento passou a existir em “carne e osso” para a administração municipal e a categoria.

Foram 29 dias contrapondo a política de exclusão, além de atuar nas ações específicas, como:

  • Participação na Conferência Municipal do Idoso, com Moção de Apoio à greve;
  • Apresentação teatral da peça “Outono” como um chamado para as pessoas refletirem sobre o envelhecimento.
  • Denúncia, na Defensoria Pública do Idoso, de prática de violência psicológica da PBH contra aposentadas(os), ao tentar invisibilizar o segmento;
  • Carta à Ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, denunciando a retirada de direitos e a negativa da PBH em negociar.

A greve terminou com um avanço no índice do reajuste salarial e o recebimento do valor correspondente ao vale cultura. Essas conquistas ficaram aquém das perdas financeiras acumuladas, é imprescindível dizer. Entretanto, avaliamos que os ganhos no campo político foram significativos. Conseguimos romper
com a invisibilidade em que a PBH insiste em nos colocar. Trouxemos para a mesa de negociação vários itens da nossa pauta e forçamos a PBH a abrir o diálogo sobre eles.

A participação na greve talvez tenha desvelado aos colegas em exercício um futuro menos promissor quanto poderia acenar o imaginário sobre a aposentadoria, mas certamente os remeteu às memórias de lutas e conquistas, provocando acolhimento e reconhecimento. Para a PBH o conjunto dos trabalhadores em greve reafirmou a ideia de que os direitos conquistados por anos de dedicação à educação pública precisam ser respeitados. Essa foi, sem dúvida, nossa maior conquista e com ela seguiremos lutando, pois DA LUTA NINGUÉM SE APOSENTA!

*Optou-se por tratar esse Coletivo no feminino devido à participação majoritária ser de
mulheres.

Coletivo de Professores/as Aposentados/as do Sind-REDE/BH