Na tarde desta quinta-feira, 3 de julho, a Praça da Estação voltou a ser palco da resistência dos trabalhadores e trabalhadoras em educação da Rede Municipal de Belo Horizonte. Em uma assembleia marcada por forte indignação e emoção, o comando de greve realizou uma performance, relembrando a “Rede” que deu nome ao sindicato e representa a união da categoria.
Em todas as intervenções a categoria foi unânime em avaliar que a greve deve continuar. Por ampla maioria, os trabalhadores votaram pela continuidade da greve, que já se estende por quase um mês.
Categoria está aberta a negociação
A decisão veio após uma audiência de conciliação entre a Prefeitura e o comando de greve, realizada no Tribunal de Justiça de Minas Gerais na quarta-feira (02/07), que foi incapaz de chegar a uma proposta que pudesse por fim a greve.
A revolta da categoria é direcionada à postura intransigente do prefeito Álvaro Damião (União Brasil), que insiste em manter a proposta rebaixada de reajuste de 2,49% para 2025 — ponto central da greve. A Prefeitura se ofereceu propostas pontuais, como o pagamento dos pedidos de férias-prêmio já processados e uma possível bonificação para aposentados, condicionada a parecer da Procuradoria-Geral do Município (PGM). Também sinalizou a devolução dos salários cortados, caso a greve se encerre e haja compromisso com a reposição.
Proposta econômica mesmo, ficou só para 2026, com compromisso de que em maio do ano que vem, pagará pelo menos a inflação acumulada de maio de 2025 à maio de 2026 + 2,4% (referente às perdas inflacionárias acumuladas entre 2017 e 2022).
Logo após a audiência, às 17h do mesmo dia, a Secretária de Educação, Natália Araújo, convocou uma reunião na SMED para rever os pontos debatidos e encontrar possíveis novas propostas. Não houve avanço na negociação do índice, mas sim no processo de reposição.
A categoria, no entanto, foi firme ao reiterar que não há condições de encerrar a greve sem a revisão do índice de reajuste de 2025. Com o objetivo de demonstrar sua disposição por negociação, o comando de greve propôs uma nova mediação, um índice de reajuste que englobe os 2,49% já oferecidos + 2,4%, referente a dívida já reconhecida pela prefeitura, correspondente às perdas inflacionárias acumuladas de 2017 para cá, pago ainda esse ano e sem abrir mão das demais propostas oferecidas anteriormente.
Para os trabalhadores, a greve ultrapassa a questão salarial: representa também uma luta por dignidade, valorização profissional e respeito. É esse o sentimento que tem mantido a mobilização em alta e fortalecido a unidade da categoria.
Greve se intensifica
Diante da intransigência do Damião, os trabalhadores deliberaram intensificar a pressão. A partir de hoje, estabelecem uma assembleia permanente com acampamento em frente à Prefeitura de Belo Horizonte, na avenida Afonso Pena, reforçando a visibilidade e força do movimento.
A greve dos educadores, que já conta com forte apoio popular, vem ganhando cada vez mais repercussão nas redes sociais e nos meios de comunicação. Cresce o sentimento de que a responsabilidade pela paralisação das aulas é do prefeito Álvaro Damião, que se recusa a atender uma reivindicação justa e factível.
A crise na educação da capital pode se aprofundar ainda mais nos próximos dias. Os trabalhadores terceirizados da MGS também anunciaram assembleia geral com paralisação e indicativo de greve na próxima terça-feira (08/07). O motivo é o cancelamento autoritário das férias de julho, uma medida unilateral imposta pelo governo municipal. A adesão dos terceirizados à luta pode ampliar a mobilização e agravar a situação do prefeito diante da opinião pública.
A assembleia desta quinta-feira também aprovou o calendário de mobilizações dos próximos dias. Confira:
Calendário de Lutas da Greve
- Segunda-feira (07/07), às 09h: Audiência Pública sobre a Greve dos Trabalhadores em Educação, na Câmara Municipal de BH (Av. dos Andradas, 3.100 – Santa Efigênia).
- Terça-feira (08/07), às 09h: Assembleia Geral da Greve dos Trabalhadores em Educação Concursados na Porta da Prefeitura (Av. Afonso Pena, 1.212 – Centro).
OBSERVAÇÃO: caso não seja apresentada uma proposta antes, pois a categoria está em assembleia permanente.
- Terça-feira (08/07), às 9h: Assembleia dos Trabalhadores Terceirizados em Educação Com paralisação total e indicativo de greve da categoria na Praça da Estação
OBSERVAÇÃO: Caso a MGS e PBH enviem ofício garantindo as férias a paralisação será suspensa.